A relação entre Dodi Lukebakio e o técnico José Mourinho no Benfica parece ter chegado a um ponto de rutura, culminando numa provável saída do internacional belga no final da época. O episódio mais recente e mediático foi a discussão entre os dois, no passado sábado, durante o jogo frente ao Moreirense, na Luz, onde Lukebakio não escondeu a sua insatisfação por ter sido substituído por Gianluca Prestianni. A fúria do jogador, que descarregou a ira com murros no banco de suplentes, foi o culminar de um desagrado mútuo que já se vinha a sentir. José Mourinho, confrontado com a situação, não a minimizou e confirmou a discussão. “O Lukebakio não gostou de ser substituído. A poltrona do banco não tem culpa da frustração de um jogador que não gosta de ser substituído, e tivemos um bate-boca de que eu gosto”
, afirmou Mourinho.
O técnico, conhecido pela sua frontalidade, detalhou o teor da troca de palavras. “Honestamente, gosto. O que foi dito? 'Por que é que fui substituído? Não merecia ser substituído'. Este tipo de coisa. A minha resposta foi um bocadinho mais violenta, mas não se passa nada, segue”
, partilhou Mourinho. Esta abertura do treinador sobre os problemas internos demonstra a sua forma de gerir o balneário e a insistência na disciplina. O descontentamento de Mourinho com Lukebakio não é de agora, tendo o técnico já manifestado, sem mencionar nomes, a sua insatisfação com a atitude de alguns jogadores após o empate com o Casa Pia, a 6 de abril. Na altura, as suas palavras foram interpretadas como um aviso. “Tinha vontade de não fazer jogar mais alguns jogadores”
, disse Mourinho. Lukebakio foi um dos visados nessas declarações, o que demonstra que a sua saída já estaria a ser ponderada.
A justificação de Mourinho para a pouca utilização de Lukebakio aponta, de forma clara, para a competitividade interna e para as características que procura nos seus jogadores. “Penso que o maior culpado da pouca utilização do Lukebakio é o Prestianni. Por exemplo, temos os mesmos pontos da época passada. Na época passada o Benfica estava a lutar pelo título, e, agora, estamos pelo menos a quatro, também por culpa do FC Porto. Nos jogadores é um bocadinho por aí”
, refletiu. O treinador sublinhou que, embora respeite as qualidades individuais dos atletas, existe uma filosofia de jogo que exige adaptação e empenho. “O Prestianni é o maior responsável. De qualquer das maneiras, os jogadores têm as suas características, e os treinadores também. Não sou daquele tipo que diz que o jogador tem de ter as mesmas ideias do treinador, mas também não digo que o treinador tem de mudar a própria natureza, temos que ir ao encontro um do outro”
, prosseguiu. O técnico do Benfica usou, ainda, o exemplo de outro jogador para ilustrar a sua ideia, mencionando Andreas Schjelderup. “Focando-me no caso do Benfica, eu e o [Andreas] Schjelderup estivemos muito longe, e, neste momento, não podíamos estar mais perto. O Lukebakio tem algumas vertentes de jogo pelas quais não sou apaixonado, ele tem de se aproximar. Se calhar, se o Diamantino Miranda estiver bem dos joelhos, também rebenta com isto tudo, agora, andar para trás e dar ao pedal… Precisas de ter capacidade física e, fundamentalmente, de querer fazer. Vais analisar o golo sofrido e percebes o que estou a dizer”
, concluiu, deixando implícito que o desempenho e a entrega do jogador em campo não têm sido os ideais. Lukebakio, contratado ao Sevilha por 20 milhões de euros no último verão, poderá agora ver o seu futuro no Benfica terminar num empréstimo com opção de compra, já que a recuperação do investimento inicial se afigura difícil. O mundial pode, no entanto, mudar a situação do jogador.