Decisão da UEFA sobre Prestianni gera debate com Luisão e Mourinho a pronunciar-se

  1. Prestianni suspenso 6 jogos por homofobia.
  2. Luisão questiona veracidade da acusação.
  3. Mourinho elogia Prestianni e ironiza críticos.
  4. Mourinho responsabiliza Prestianni por Lukebakio.

A recente decisão da UEFA de suspender Gianluca Prestianni por seis jogos, com três de pena suspensa, devido a insultos homofóbicos, continua a gerar controvérsia e debate no futebol português. Figuras como Luisão e José Mourinho pronunciaram-se sobre o caso, cada um com a sua perspetiva, levantando questões sobre a coerência das sanções e a perceção do preconceito no desporto.

Luisão, antigo capitão do Benfica, não escondeu o seu desconforto com a situação, admitindo ter dúvidas sobre a veracidade da alegada conduta de Prestianni. “De verdade: alguém acredita que uma reação daquele nível acontece por isso? Cada um tire suas conclusões. Não estou aqui para apontar culpados sem provas. Mas também não dá para ignorar o que o futebol mostra, ano após ano. Quem vive o jogo sabe”, afirmou o brasileiro, questionando a aparente desproporcionalidade da reação. O ex-jogador também se mostrou crítico em relação àquilo que descreveu como uma hierarquia do preconceito.

Mais incisivo, Luisão continuou a sua reflexão sobre a penalização aplicada ao jovem jogador do Benfica, expondo a sua preocupação com a mensagem que a UEFA parece transmitir. “A decisão da UEFA sobre o caso Prestianni pode até ter seguido um caminho 'seguro', mas ela deixa no ar uma sensação desconfortável de que, no futebol, ainda existe uma espécie de hierarquia do preconceito, como se alguns fossem tratados com mais rigor do que outros. Parto do princípio de que racismo e homofobia são igualmente graves. Não existe versão “mais leve” de ofensa quando se trata de discriminação a outro ser humano, mas, na prática, a gente sabe que muitas vezes não é assim que funciona. O que me incomoda profundamente é a forma como esse caso se desenrolou. Uma fala que antes era negada passa a ser admitida, mas em outro contexto, e convenientemente se enquadrando em outro tipo de ofensa... Isso, por si só, levanta questões. Não sobre o que pode ser provado, mas sobre o que estamos dispostos a aceitar”, salientou Luisão. Para o antigo defesa, a mensagem que se retira desta situação é perigosa: “No fim das contas, o recado que fica é perigoso. Parece que, dependendo do caminho escolhido, existe sempre uma forma de amenizar as consequências, que deveriam ser duras e exemplares. E isso não pode ser normalizado. Seguirei defendendo o mesmo de sempre: respeito, responsabilidade e tolerância ZERO com o preconceito. Sem meios termos com aquilo que fere a dignidade humana. Aqueles que sofrem não esquecem”, concluiu, reforçando a sua postura de intransigência face a qualquer forma de discriminação.

Em contraponto, José Mourinho, treinador do Benfica, abordou o tema após a vitória por 4-1 sobre o Moreirense, onde Prestianni foi aplaudido pelos adeptos ao ser substituído. O 'Special One' elogiou a receção dos adeptes ao jogador e aproveitou para ironizar a postura de alguns críticos. “Se eu estivesse na bancada, também aplaudia. Ele tem feito um bom campeonato e um trabalho fantástico. Tem melhorado de forma incrível. Neste momento, é um jogador forte do ponto de vista tático, sabe posicionar-se defensivamente e interpretar o jogo. Depois tem as suas qualidades fundamentais, criatividade, técnica, coragem... Não era um jogador preparado quando cheguei, e tem evoluído”, aplaudiu Mourinho. O treinador do Benfica expressou a sua expectativa em relação aos comentários dos que anteriormente criticaram o jogador: “Eu ouvi tanta coisa na altura em que jogámos contra o Real Madrid, que, neste momento, estou absolutamente na expectativa para ler, ouvir e ver comentários de pessoas que falaram tanto. Estou numa posição de expectativa e curiosidade para ver os comentários dessa mesma pessoa. Abstenho-me de comentar, estou numa posição de expetativa”.

Mourinho também foi questionado sobre a perda de preponderância de Lukebakio no plantel encarnado, atribuindo grande parte da responsabilidade a Prestianni. “Penso que o maior culpado da pouca utilização do Lukebakio é o Prestianni. Por exemplo, temos os mesmos pontos da época passada. Na época passada o Benfica estava a lutar pelo título, e, agora, estamos pelo menos a quatro, também por culpa do FC Porto. Nos jogadores é um bocadinho por aí”, afirmou. O técnico português aprofundou a sua análise sobre a evolução dos jogadores e a sua adaptação às exigências da equipa. “O Prestianni é o maior responsável. De qualquer das maneiras, os jogadores têm as suas características, e os treinadores também. Não sou daquele tipo que diz que o jogador tem de ter as mesmas ideias do treinador, mas também não digo que o treinador tem de mudar a própria natureza, temos que ir ao encontro um do outro”, apontou. Mourinho ainda acrescentou: “Focando-me no caso do Benfica, eu e o [Andreas] Schjelderup estivemos muito longe, e, neste momento, não podíamos estar mais perto. O Lukebakio tem algumas vertentes de jogo pelas quais não sou apaixonado, ele tem de se aproximar. Se calhar, se o Diamantino Miranda estiver bem dos joelhos, também rebenta com isto tudo, agora, andar para trás e dar ao pedal… Precisas de ter capacidade física e, fundamentalmente, de querer fazer. Vais analisar o golo sofrido e percebes o que estou a dizer”, concluindo sobre a necessidade de os jogadores se adaptarem e se empenharem taticamente para o bem da equipa.

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