Após a vitória confortável sobre o Moreirense por 4-1, os holofotes viraram-se para o banco dos encarnados, onde se desenrolou um episódio entre José Mourinho e Dodi Lukebakio. O avançado belga mostrou clara insatisfação ao ser substituído aos 58 minutos por Gianluca Prestianni, gerando um momento de tensão à beira do relvado.
Em conferência de imprensa pós-jogo, José Mourinho abordou o sucedido de forma franca. “Lukebakio não gostou de ser substituído, a poltrona não tem culpa da frustração de um jogador que não gosta de ser substituído. Tivemos um bate-boca que eu gosto. Ele perguntou por que tinha de ser substituído, a minha resposta foi mais violenta, mas segue, não se passa nada”
, revelou o técnico. Mourinho também partilhou a sua visão sobre a competitividade interna no plantel. “O maior culpado da pouca utilização dele é o Prestianni. É um bocadinho como dizia há um par de semanas... Na época passada, estávamos a lutar pelo título e estamos agora a sete pontos por culpa do FC Porto. De qualquer das maneiras, jogadores têm as suas características. Jogadores e treinadores têm de ir ao encontro um do outro. Eu e o Schjelderup estivemos muito longe um do outro e neste momento não podíamos estar mais perto”
, sublinhou.
O treinador continuou a analisar as características de Lukebakio e a necessidade de adaptação no seu sistema. “O Lukebakio tem algumas vertentes pelas quais não sou apaixonado. Ele tem de se aproximar. Às vezes penso que, se calhar, o Diamantino Miranda, se estiver bem dos joelhos, com bola no pé também rebenta com isto tudo, mas agora correr para trás é preciso dar ao pedal. E precisas de o querer fazer. Analisas o nosso golo sofrido contra o Moreirense e percebes o que estou a dizer”
, justificou Mourinho, sublinhando a importância do trabalho defensivo e da entrega total. Já à BTV, Mourinho disse: “Foi um jogo estranho, no sentido em que não podíamos começar melhor. Depois entrámos numa zona cinzenta de controlo, mas com um jogo pouco fluído. Fizeram o empate, numa situação aberta à crítica e à análise interna, porque é uma transição em que temos superioridade numérica, mas há um jogador que abandona a corrida defensiva e deixa o Dahl sozinho. Depois há o erro. Na segunda parte estivemos sempre no controlo. Mesmo que tenham [Moreirense] tido bola, não criaram perigo. Mexi e sabia que com aqueles jogadores ia trazer mais intensidade, profundidade e mais velocidade. Na parte final acho que o Vasco [Botelho da Costa] fez o que qualquer treinador faria: arriscou para chegar ao empate e nós, em velocidade, fizemos dois golos e com mais tempo faríamos mais”
.
Apesar da polémica em redor de Lukebakio, o facto é que o Benfica alcançou um feito histórico, tornando-se na primeira equipa do Campeonato a atingir os 31 jogos de invencibilidade. O jogo foi também pródigo em golos, com o Benfica a marcar quatro, algo que não acontecia desde o embate com o Real Madrid. Individualmente, Franjo Ivanovic brilhou com o bis mais rápido das águias em jogos da Primeira Liga no Estádio da Luz. No final, Mourinho revelou ainda que se sente um treinador privilegiado
por ter um banco rico
. “Costumo ser um treinador frio, que não olha muito a situações emocionais e esta semana fui diferente. Pensei que, jogando um jogo por semana, com muito pouca rotatividade, com jogadores que andavam a trabalhar bem e a jogar pouco, com jogadores que saíam bem do banco, como em Alvalade, e fui emocional, no sentido de que há gente que merece jogar, correndo o risco de perder dinâmicas. Sabia que tinha no banco os jogadores que têm jogado mais, principalmente os dois alas que estão muito identificados com as nossas dinâmicas. O Dahl cresceu com o Schjelderup, mas não me arrependo, porque premiei gente que trabalha bem. Treinadores com bancos ricos são treinadores privilegiados”
, concluiu.