O processo Cartão Vermelho continua a desvendar intrincadas ligações e negócios obscuros do antigo presidente do clube encarnado, Luís Filipe Vieira. As mais recentes informações, divulgadas pela revista Sábado, apontam para a sua conexão ao negócio da venda da antiga sede da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), um caso que está sob investigação na 'Operação Mais-Valia'. Documentos e escutas telefónicas, registadas no âmbito do processo Cartão Vermelho, sustentam estas ligações que, até agora, não teriam chegado na íntegra aos autos da 'Mais-Valia'.
As escutas telefónicas revelam que Carlos Marques, um dos arguidos no caso da antiga sede da FPF, era visto como um testa de ferro
de Luís Filipe Vieira. Um inspetor tributário, em relatórios produzidos entre 2018 e 2021, afirmou que, “atento os manifestos fiscais”
, Carlos Marques não teria capacidade financeira
para gerir os ativos de duas sociedades que lhe foram transmitidas por Vieira: a Houselink e a Stone Value. O inspetor acrescentou que Carlos Marques, “ao encontrar um investidor”
para os ativos, entre os quais a Herdade Colar das Perdizes, reportava a “Luís Filipe Vieira para uma tomada de decisão”
. A Stone Value, empresa que foi de Vieira e passou para Marques em 2011, recebeu 246 mil euros da Softbutterfly, empresa de António Gameiro, uma quantia que corresponde a metade dos 492 mil euros pagos pela Excellent Dimension ao ex-deputado do PS.
Apesar de Vieira não integrar a administração da Excellent Dimension, sociedade que adquiriu o imóvel, Carlos Marques mantinha-o a par de todos os desenvolvimentos do negócio. Em dezembro de 2018, Vieira referiu-se a um negócio que teria custado seis milhões
, sendo prontamente corrigido por Carlos Marques, que indicou o valor de 11,25 milhões de euros, o montante da venda da antiga sede da FPF. Nesse momento, Vieira afirmou: “E falta a minha notinha para pôr em cima disso”
, com Carlos Marques a completar: Exatamente
. Em setembro de 2019, numa conversa intercetada, o empresário de futebol Bruno Macedo, arguido no caso Cartão Vermelho, revela que um investidor francês estaria interessado na antiga sede da FPF, que pertenceria a Carlos Marques e a Vieira (ou ao seu filho), e que poderia ser vendida por cerca de 14,5 milhões de euros. Três meses antes da sua detenção, em abril de 2021, Vieira encontrou-se com Carlos Marques e José Alves Inácio no centro de estágio do Seixal, um encontro que o Ministério Público descreveu como “visita por causa do negócio da venda do antigo imóvel da FPF”
. A defesa de Vieira, no entanto, negou à revista qualquer ligação do ex-presidente ao negócio da antiga sede da FPF. Enquanto isso, o processo Cartão Vermelho investiga Vieira por suspeitas de abuso de confiança, burla qualificada, falsificação, fraude fiscal e branqueamento de capitais.