Centralização dos direitos televisivos: Benfica prevê perdas e defende modelo voluntário

  1. Benfica prevê perdas de 5 a 15 milhões de euros.
  2. Investimento anual na Benfica TV é valorizado.
  3. Centralização "Big Bang" complexa para clubes.
  4. Mercado de transferências gerido independente.

A centralização dos direitos televisivos no futebol português tem gerado preocupação e debate, com o Benfica a ser um dos clubes que prevê um impacto financeiro negativo. Nuno Catarino, CFO da SAD do Benfica, abordou o tema, sublinhando o investimento do clube no produto televisivo. “Investimos de forma consistente e significativa no produto televisivo, possivelmente mais do que todos os outros clubes da Liga somados, da primeira à última divisão. O investimento anual na Benfica TV é o que valoriza o produto e justifica que o nosso produto valha substancialmente mais do que os restantes. Temos obtido resultados que derivam diretamente desse investimento”, afirmou Catarino ao jornal ECO.

As projeções financeiras indicam perdas consideráveis para o clube da Luz, caso o modelo atual da centralização seja implementado. “Com base no cenário de 220 milhões apontado pela Liga, estamos a falar de uma perda provável de 5 a 15 milhões de euros para o Benfica, dependendo de outras variáveis. É uma situação inaceitável para nós, e por isso a nossa abordagem tem sido construtiva – que é a nossa postura natural – mas simultaneamente assertiva”, explicou o dirigente, que também justificou a saída do Benfica do processo negocial. Esta decisão, segundo Catarino, visou “transmitir de forma clara que não poderíamos continuar a participar em reuniões sobre um processo de centralização em que temos sérias dúvidas quanto à sua viabilidade. A nossa primeira obrigação é fazer bem o nosso trabalho. A segunda é procurar alternativas. É o que estamos a fazer. Alterações à proposta? Terá de haver. É fundamental que as haja [alterações à proposta da centralização dos direitos televisivos], porque ninguém ficará satisfeito com o resultado atual. Haverá algumas SAD detidas por acionistas estrangeiros, que chegaram recentemente ao mercado, que veem nisto uma oportunidade”.

Apesar das reservas do Benfica, o clube reconhece a importância da centralização para a maioria dos restantes clubes. “Reconhecemos que para a maioria dos clubes nacionais esta centralização Big Bang representa uma situação muito complexa. Já existem cinco ou seis clubes que não conseguiram negociar, ou que receberam propostas muito baixas, porque os operadores tiram partido da situação. Em 99% das decisões, o bem do futebol português é o bem do Benfica, e vice-versa. Por isso, defendemos uma centralização voluntária, em que os clubes que assim o desejem se agreguem para, em conjunto, obterem melhores condições. O Benfica não precisa desse processo para ter boas condições de mercado – mas reconhece que, para muitos outros clubes, faz todo o sentido”, salientou Nuno Catarino. O CFO abordou ainda a emissão obrigacionista, frisando que o mercado de transferências será gerido de forma independente. “Vamos para uma emissão obrigacionista de 40 milhões porque sabemos que podemos pagar os 50 milhões com a tesouraria corrente. Aumentar o valor da emissão? Dependerá da análise das condições de mercado no momento. Esta emissão começou a ser preparada há quatro semanas, antes do início da guerra no Irão. Se afetará o investimento na equipa? Não. O mercado de transferências é sempre gerido de forma independente das emissões obrigacionistas, e não faria sentido que fosse de outra forma”, concluiu.

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