Fabrizio Miccoli, antigo avançado do Benfica, viveu uma experiência única durante os seis meses que esteve preso, entre o fim de 2021 e meados de 2022. A paixão pelo futebol manteve-se, mas adaptada ao contexto peculiar da prisão. “Eles brincavam comigo: 'Fabrizio, aqui matamo-nos por duas coisas: cartas e futebol'. Percebi a mensagem. Por isso, ficava na baliza e, nas poucas vezes que joguei à frente, não me armei em craque. Jogava com o travão de mão puxado. Jogávamos uma hora por semana, era um momento descontraído e devia continuar assim”
, recordou o italiano.
Miccoli não só adaptou o seu jogo às circunstâncias como também evitou conflitos, optando por um papel mais discreto. A sua abordagem reflete o respeito pelo ambiente tenso da prisão, onde até o futebol podia ser motivo de disputa. “Jogava com o travão de mão puxado”
, confessou, destacando a prudência que adotou.
Fora das quatro linhas, Miccoli também partilhou um momento emocionalmente intenso: a morte de Diego Maradona. “Estava no carro. Na rádio deram a notícia e tive de parar por causa de uma dor insuportável. Fiquei parado dez minutos. Guardo num cofre o brinco que a Polícia Financeira lhe confiscou no aeroporto de Roma. Comprei num leilão por 25 mil euros. Nunca o usei e queria devolvê-lo a ele”
, revelou, mostrando a profunda ligação que tinha com o ídolo argentino.