Crise na Luz: Mourinho e Rui Costa exigem "mudança de atitude" e segundo lugar é o novo objetivo

  1. Mourinho e Rui Costa exigiram mudança de atitude.
  2. Investimento de 130 milhões de euros no plantel.
  3. Mourinho: “Perdemos muito com este resultado”.
  4. Rui Costa: “Mourinho tem contrato por mais um ano”.

A crise instalada na Luz, após o empate com o Casa Pia e a perda de terreno na luta pelo título da I Liga, levou os principais intervenientes a agir. José Mourinho e Rui Costa terão, segundo o jornal A Bola, exigido uma mudança de atitude por parte dos jogadores, em conversas diretas com o plantel. Esta intervenção surge após declarações públicas impactantes que espelham o momento delicado que as águias atravessam – mais ainda pelo avultado investimento de 130 milhões de euros para construir um plantel que, paradoxalmente, parece inferior ao anterior, como é abordado no artigo “Entre a promessa e o abismo”.

As palavras de Mourinho após o jogo com o Casa Pia foram um claro sinal do descontentamento. O treinador não escondeu a sua frustração e apontou o dedo à falta de “fome” de alguns jogadores. Segundo o técnico, “Perdemos as possibilidades que ainda tínhamos de sermos campeões e de lutar o título até ao final, assim como o controlo de lutarmos pelo segundo lugar, que, neste momento, não depende só de nós. Perdemos muito com este resultado, isto é o mais importante a retirar”, disse Mourinho. A ambição mínima passou agora a ser a manutenção do segundo lugar, que garante o acesso à Liga dos Campeões: “O objetivo principal é lutar pelo segundo lugar, que já não depende de nós. Mesmo ganhando todos os jogos, o que será extremamente difícil, mas possível, até ao final do campeonato, o Sporting também teria de perder dois pontos. Mas o objetivo é lutar por isto. É possível ganhar todos os jogos e que o Sporting tenha um empate. Este é o objetivo número um”. Estas declarações sublinham a gravidade da situação e a necessidade de uma resposta imediata por parte do grupo, que defronta o Nacional já este domingo. A este propósito, “Tenho de pensar bem em conjunto, porque, neste momento, eu tinha vontade de não fazer jogar mais alguns jogadores. Mas há valores mais altos que se levantam. São ativos, mesmo que eu não quisesse continuar com alguns deles, se calhar, é mais fácil não continuar tentando valorizar do que propriamente tentando hostilizar, mas, basicamente, é isto. A nível desportivo, o objetivo possível é ficar em segundo lugar. Mas o objetivo único é esse”, completou o treinador português. A preocupação com a valorização dos ativos, mesmo em detrimento do desejo de afastar alguns elementos, revela a complexidade da gestão de um plantel que parece estar aquém das expectativas.

Também Rui Costa se pronunciou sobre o momento conturbado do clube, numa fase em que o trabalho de Mourinho é escrutinado. O presidente do Benfica fez questão de afirmar que “Mourinho tem contrato por mais um ano, não é tema (...). Ninguém é imune a nada no Benfica. O presidente não é imune...”. Esta afirmação, em reação à Assembleia da República, demonstra um voto de confiança, ainda que condicionado, no atual técnico. Rui Costa também admitiu que a temporada não está a correr como esperado: “As épocas seguintes começam-se a preparar à primeira jornada da época [presente]. Esta foi preparada para ganhar o campeonato nacional e ter uma boa prestação na Liga dos Campeões, mas não está a ser o que queríamos. É responsabilidade de todos nós. Por respeito à camisola que é sagrada e por respeito aos adeptos, não abandonamos a época até estar terminada”. Estas palavras do presidente reforçam a ideia de que a responsabilidade é partilhada e que o abandono da época não é uma opção, apesar da crescente frustração, inclusive com o mais recente empate. O presidente assumiu estar insatisfeito com o empate, mas sublinha que “no Benfica, é proibitivo abandonar a época”. Estas declarações, que pedem um novo fôlego e atitude, surgem numa altura em que se aguarda o regresso de Amar Dedic, lateral bósnio que recuperou a totalidade da condição física e que, de acordo com Mourinho, é um jogador fundamental para a equipa, como foi referido após a ausência do jogador contra o Casa Pia: “Dedic é Dedic”, disse Mourinho. “A sua intensidade, a sua irreverência, a maneira como ataca defesas e como impõe ritmo mais agressivo à equipa são importantes. Foi castigado com dois jogos de suspensão, quando a maioria dos cartões vermelhos neste campeonato não dão a dois, quando inclusive gestos agressivos e ofensivos são um jogo [de castigo]. Apanhámos um Bah — espero que não me interpretem mal no FC Porto — um bocadinho à imagem do Froholdt: chupado física e psicologicamente pela eliminação da Dinamarca. Senti muita falta do Dedic”. A sua presença, aliada à esperança de que os jovens da formação possam ter mais tempo de jogo – como Daniel Banjaqui, José Neto e Anísio Cabral – pode trazer a tão desejada lufada de ar fresco à equipa encarnada.

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