José Mourinho, treinador do Benfica, abordou o seu futuro e a sua personalidade na conferência de imprensa de antevisão ao jogo com o Nacional. O técnico, conhecido pelas suas declarações incisivas, começou por afirmar: “Eu sou aquele que ganhou tudo. Que ganhou tudo muitas vezes e que repetiu muitas vezes as vitórias e, por isso, talvez tenha crescido de um modo onde muitas vezes sinto que nunca falho ou erro. Assumo que tenho essa deficiência ao nível da minha personalidade enquanto treinador, mas é consequência daquilo que eu sou”.
Mourinho mostrou-se irritado com as constantes perguntas sobre a sua continuidade e a do presidente Rui Costa. “As pessoas que falam de futebol e vivem dessa área podem mudar de opinião a cada dia, a cada hora. Fazer-me a mesma pergunta ou ao presidente Rui Costa não vale a pena. O presidente já vos respondeu. Já me perguntaram se eu queria continuar, já disse que sim. Perguntaram-me sobre o meu agente, eu disse que sou eu que decido. Amanhã vão perguntar-me outra vez se quero continuar ou ao presidente Rui Costa? Acho um bocadinho estranho continuarem a fazer a mesma pergunta. Se quiserem fazer outra vez a pergunta ao presidente Rui Costa, façam-na, mas a mim não. Eu quero continuar no Benfica na próxima época”. O treinador reforçou a sua posição: “Disse muita coisa e parece que afinal não disse tanta coisa porque, apesar de eu não seguir, o Gonçalo é que me obriga a seguir porque é parte do seu trabalho, e parece que não fui claro e objetivo a dizer que quero ficar no Benfica. Segundo o Gonçalo, tem havido mil e uma dúvidas em relação a isso. Penso que fui objetivo e explícito ao dizer que queria ficar no Benfica na próxima época. Penso que não é preciso agarrar num papel e numa caneta e voltar a dizer isso, mesmo nesse momento de frustração, relativamente à minha vontade de ficar no Benfica e de lutar por títulos. É o meu objetivo, o Benfica” e “Disse muita coisa e afinal parece que não disse tanta coisa. Parece que não fui claro e objetivo a dizer que quero ficar no Benfica. Tem havido mil e uma dúvidas sobre isso. Penso que fui objetivo a dizer que queria ficar no Benfica. Penso que não é preciso agarrar num papel e caneta e fazer um desenho para repetir o que disse”.
Em relação às críticas aos jogadores depois do empate com o Casa Pia, Mourinho explicou a sua perspetiva. “Frustração? Obviamente que sim. E jogadores que eu não utilizaria mais, uma coisa é o que dizes e o que acontece na prática. Mas creio que também frisei que uma coisa poderia ser uma declaração de intenções e depois que existiam valores mais altos. São óbvios. E quando parece que houve quase um tsunami em relação a essas declarações, tive a pensar se seria eu o único treinador no mundo que mudaria alguma coisa no seu plantel. No mundo, só há cinco que não mudariam nada no seu plantel. A natureza de cada treinador, de cada clube, é de nunca ter o plantel considerado um plantel perfeito. Um gostava de ter um jogador mais alto, mais rápido, especialista na bola parada... eu conseguir identificar cinco clubes/treinadores que são os únicos privilegiados neste mundo, onde eu também já fui. Mas é normal que qualquer treinador mudasse algo no seu plantel, principalmente depois de uma exibição e de um resultado frustrante e difícil de aceitar. Agora, na prática, eu também claramente no ar, há outros valores que se levantam, a dificuldade de ter o plantel perfeito. Dentro dessa tempestade de emoções, acho que consegui ter a clarividência de dizer que não o farei. Na convocatória de amanhã chegarão à conclusão que é exatamente a mesma”. Para o próximo jogo, Mourinho anunciou mudanças pontuais na convocatória. “Chegarão à conclusão que é exatamente a mesma convocatória, não exatamente a mesma mas quase, porque entra o Dedic e o Gonçalo Moreira na convocatória, portanto, para entrarem dois jogadores, sairão dois jogadores. Os paineleiros interpretarão como quiserem, mas a realidade é que a convocatória terá dois jogadores diferentes amanhã”, esclarecendo que “Aursnes e Leandro Barreiro estão de regresso aos convocados”.