O Benfica tem demonstrado um domínio consistente em campo, com elevada posse de bola e um volume ofensivo considerável, o que indicaria uma tendência para a vitória. No entanto, confronta-se com a incapacidade de transformar essa superioridade em golos. Em jogos contra o Casa Pia, Santa Clara e Tondela, apesar de métricas avançadas favoráveis, como 78% de posse de bola e 2.72 de expected goals contra o Casa Pia, a equipa não conseguiu garantir os três pontos, deixando uma sensação de que algo falta nos momentos decisivos.
Paralelamente à ineficácia ofensiva, o clube de Lisboa tem enfrentado um padrão de decisões de arbitragem desfavoráveis. Após um ruído mediático em torno dos penáltis assinalados a seu favor em janeiro, os meses seguintes de fevereiro e março terminaram sem qualquer decisão favorável nesta matéria. No jogo contra o Casa Pia, vários lances dentro da área adversária geraram dúvidas, mas não resultaram em penáltis. Em contraste, os rivais diretos, FC Porto e Sporting, beneficiaram de decisões polémicas. O FC Porto viu um penálti duvidoso ser assinalado contra o Arouca e uma omissão de falta clara na sua área contra o Famalicão. O Sporting, por sua vez, ganhou pontos num jogo onde um golo do Santa Clara foi anulado e um penálti, por assinalar, poderia ter alterado o resultado.
Embora a arbitragem não seja o único fator determinante na perda de um campeonato, o acumular de decisões desfavoráveis, especialmente num campeonato equilibrado como o português, pode ter um impacto estrutural. José Mourinho levantou a questão da perceção de desequilíbrio, que está instalada. O Benfica enfrenta o desafio de melhorar a sua eficácia ofensiva e, ao mesmo tempo, lidar com um contexto onde nem sempre sente que as regras são as mesmas para todos, criando uma combinação desfavorável que afeta o desfecho das competições.