Manuel José celebra 80 anos: a frontalidade de um “rebelde”

  1. Manuel José, 80 anos de vida
  2. “Sempre fui um bocado rebelde”, Manuel José
  3. “Nem morto trabalharia com Pinto da Costa”
  4. Afastado da Seleção em 2004

Manuel José, uma das figuras mais marcantes e por vezes controversas do futebol português, celebra hoje 80 anos de vida. Conhecido pela sua frontalidade e por nunca se ter vergado a pressões, o treinador e antigo jogador deixou uma marca indelével por onde passou. Recentemente, numa entrevista, descreveu-se com a frase: “Sempre fui um bocado rebelde”.

A sua forma de estar no futebol e na vida sempre foi pautada por uma inabalável honestidade. “Só tenho uma cara e uma palavra, toda a minha vida honrei a palavra que dei”, afirmou Manuel José, sublinhando a coerência que fez dele uma personalidade respeitada e, por vezes, temida. Esta postura, embora lhe tenha custado caro por vezes, nunca foi comprometida ao longo da sua longa carreira.

A paixão de Manuel José pelo Benfica manifestou-se desde jovem, tendo chegado ao clube encarnado com apenas 16 anos. “O Benfica tirou-me da vida difícil que tinha em Vila Real de Santo António”, recordou Manuel José, evidenciando a gratidão que sentia pelo clube, ao qual regressaria mais tarde como treinador. No entanto, a sua carreira foi também marcada por decisões firmes e intransigentes, como a de não treinar o FC Porto, apesar de várias oportunidades. A sua recusa foi enfática e sem rodeios. “Nem morto trabalharia com Pinto da Costa”, garantiu. Esta afirmação, divulgada por si várias vezes, demonstra a profundidade das suas convicções e a sua aversão a certas figuras do futebol.

Apesar de uma carreira recheada de êxitos, Manuel José lamenta uma oportunidade perdida com a Seleção Nacional. “Fui posto fora da Seleção pelo poder corrupto que existia em Portugal e que mandava no presidente da Federação”, desabafou, revelando uma mágoa profunda sobre a forma como foi afastado da liderança da equipa das quinas em 2004. Esta declaração evidencia a sua perspetiva sobre os bastidores do futebol português e o que considera serem as grandes falhas do sistema. Terminou a referida entrevista a afirmar: “Prejudiquei-me imenso por ser quem sou e por não deixar que me comprassem”, um desabafo que resume a forma como encarou a sua vida profissional, sem arrependimentos, mesmo que isso implicasse sacrifícios pessoais e profissionais.

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