José Mourinho, treinador do Benfica, não escondeu a sua frustração após o empate a um golo frente ao Casa Pia, em Rio Maior. O resultado, que deixou o Benfica mais longe da liderança do campeonato, levou o técnico a fazer duras críticas à postura dos seus jogadores e a abordar a questão do título e do segundo lugar.
Em declarações à Sport TV, Mourinho foi perentório ao analisar o impacto do empate: “Mais do que o lance do 1-1, diria que perdemos as últimas possibilidades de lutar pelo título e deixámos de depender de nós para terminar no segundo lugar. Não gostei da primeira parte, ao intervalo tentei que os jogadores percebessem. Parece que se esquecem de jogar à bola e tive de fazer matemática.” A sua análise da partida continuou: “A equipa melhorou muito na segunda parte. Depois, então, estamos a ganhar e o adversário não faz um remate, mas há displicência e falta energia, aquela fome de quem está a jogar tudo. É um lance que não pode acontecer. O que jogámos seria suficiente para ganhar. Mas o Casa Pia não queria ganhar, queria empatar.”
A desilusão de Mourinho estendeu-se à performance de alguns atletas, sugerindo uma falta de empenho decisiva: “O Benfica exige que, mesmo não lutando pelo título, lutemos. Temos muitos empates, alguns com influências externas. O nosso plantel não tem gente má, nem desrespeitosa, mas determinados perfis… Há gente que tem fome, outros levam esta vida de forma leve. Isso entristece-me. Faz-me confusão.” Em outra citação, o treinador reforçou: “Faz-me confusão que haja jogadores a quem falte aquele caráter.” As críticas não se ficaram por aí, com Mourinho a observar: “Quando se ganham campeonatos há resultados de 1-0 com dificuldades. Os adeptos estão frustrados, mas não mais do que eu.” A atitude defensiva do adversário também foi alvo de comentário: “Contra este tipo de equipas, que dizem que querem ganhar, mas não querem, querem empatar... Condeno o árbitro que permite, a Sra. VAR que dá 6 minutos. Estou profundamente dececionado. Não gostei de nenhuma das três equipas. Mas, repito, o Casa Pia tinha fome deste ponto e lutou como pôde por isso. O árbitro tem influência no jogo, mas não influência no resultado. O Benfica foi muito pobre em termos de atitude na primeira parte. Depois, acaba o jogo e o campeonato, entre aspas, com uma situação displicente que não se pode ter.”
O treinador benfiquista também abordou o golo sofrido, atribuindo-o a uma falha de sagacidade: “Quando estamos a ganhar um jogo desta natureza, em que o adversário não faz um remate à baliza, temos de ser nós a fazer quase a assistência para o golo do empate. Denota falta de sagacidade, de ser matador. Acabamos por perder o campeonato e estar em dificuldade para o segundo lugar.” A este respeito, acrescentou: “A situação do golo sofrido parece que não sentimos que não jogamos a vida. Talvez seja demodé, mas penso assim. Temos que dar a vida em cada bola. Não tenho sido bom o suficiente para transformar alguns caracteres, não maus caracteres, em jogadores para ganhar o título.” Mourinho também trouxe à tona os fatores externos que, na sua visão, influenciaram a temporada: “Acho que há muitos fatores. Não me vou esquecer, só quando a época acabar, quando começas a pensar na próxima. Mesmo não lutando pelo título, há muitos fatores que influenciaram este campeonato e fatores externos que tiveram um impacto gigante neste campeonato e que irão continuar a ter. No que diz respeito, sem nunca ter a tristeza da derrota, temos muitos empates com a tristeza de derrota. Este, o Rio Ave, no Tondela, em Braga, com influências externas... ali não há gente arrogante, desrespeitosa, não me interpretem mal. Mas existem perfis de gente que, independentemente da conta bancária, dos títulos, que tem fome, e gente que leva esta vida de uma maneira leve e isso entristece-me porque eu não consigo. Sou treinador há 20 e tal anos e não consigo modificar a minha forma de ser e de estar e depois há jogadores que, repito, não são maus profissionais, mas falta-lhe isso.”