A Conduta dos Presidentes dos Maiores Clubes Portugueses
Durante os últimos vinte meses, a conduta dos presidentes de Benfica, Sporting e FC Porto tem sido alvo de escrutínio. Estes líderes, responsáveis pelos clubes que mais paixões geram no futebol português, frequentemente protagonizam momentos que levantam questões sobre a sua atuação. A exposição pública das suas decisões e atitudes inevitavelmente resulta em críticas e confrontos de ideias, um preço intrínseco à posição que ocupam nos maiores meios de comunicação desportiva do país.
As situações problemáticas são diversas. No Benfica, a dialética interna da campanha eleitoral e a proposta de um Benfica District
são vistas como populistas e de difícil concretização a tempo do Mundial 2030, onde o Estádio da Luz ambiciona ser sede. Já entre Sporting e FC Porto, a escalada de confrontos resultou em incidentes como carros incendiados e uma constante troca de acusações, demonstrando uma falta de urbanidade que deveria ser exemplar nestes cargos de liderança.
Liderança e a Necessidade de Visão Global
O futebol, sendo uma indústria global e transversal, gere emoções intensas e resultados cruéis. No entanto, é precisamente por esta globalidade que se exige uma estratégia fora das quatro linhas. A credibilidade de uma instituição, a sua sustentabilidade e futuro a médio e longo prazo dependem cada vez mais de um entendimento negociado, que transcenda as rivalidades imediatas. O recurso a tutelas para mediar conflitos internos do desporto português sempre foi questionável, uma vez que estas questões devem ser resolvidas dentro do âmbito desportivo, com a possível intervenção da justiça desportiva.
Villas-Boas e Varandas, com a sua formação académica e profissional e currículos desportivos relevantes, ao atingirem a liderança de FC Porto e Sporting, assumiram a responsabilidade de gerir símbolos históricos do futebol português. É crucial para o FC Porto preservar a memória de quatro décadas de sucesso, enquanto o Sporting deve recordar a liderança de vultos como João Rocha, que se distinguiu pela sua ética e dimensão humana, em contraste com direções mais recentes e populistas. O Benfica, antes da vieirização
, também foi liderado por figuras exemplares como Borges Coutinho e João Santos.
Rivalidade, Respeito e o Futuro do Futebol Português
A valorização do adversário é fundamental para o crescimento do próprio clube. A desvalorização constante dos rivais contribui, a longo prazo, para a desvalorização da própria instituição. Enquanto os adeptos podem manifestar a sua paixão de forma mais fervorosa nas redes sociais e nos estádios, os dirigentes de topo têm a obrigação de ter uma visão global do desporto e do negócio. A indústria do futebol só pode prosperar se todos os envolvidos traçarem objetivos comuns, visando a melhoria dos modelos competitivos, a proteção dos jogadores e a reformulação dos calendários. Em Portugal, a atual situação, com conflitos e teimosias, é um retrocesso que impede o progresso e desenvolvimento do futebol português.