A partida amigável entre Portugal e México revelou poucos momentos de brilhantismo, com a seleção nacional a apresentar uma exibição globalmente pobre e desinteressante. Contudo, a coordenação entre Gonçalo Ramos e Bruno Fernandes nos momentos sem bola destacou-se como um dos raros pontos positivos. A dupla demonstrou uma excelente sincronia na pressão, com gatilhos
bem definidos e uma intensidade notável, permitindo a Portugal recuperar várias bolas.
Apesar do bom desempenho de Ramos e Fernandes na pressão, é improvável que esta vertente possa ser consistentemente replicada no Mundial, especialmente se Cristiano Ronaldo for o ponta de lança, dada a sua menor propensão para o trabalho defensivo sem bola. A entrada de João Neves e Vitinha ao intervalo trouxe uma notória melhoria na capacidade de controlo de jogo, sugerindo que Portugal possui alternativas de qualidade no meio-campo. No entanto, a diferença de rendimento face à primeira parte, com Samu e Rúben Neves, levanta questões sobre a consistência da dupla.
Individualmente, Samu Costa teve um desempenho misto, destacando-se pela força nos duelos e uma recuperação de bola notável, mas também cometendo erros na construção e falhas técnicas que quase resultaram num golo mexicano. A sua posição no lote de convocados para o Mundial parece depender da condição física de Palhinha. Na defesa, a luta entre António Silva e Tomás Araújo pela vaga de quarto central permanece indefinida, com um pequeno erro por parte de Silva a não comprometer a sua posição. Nas alas, Francisco Conceição reafirmou ser mais eficaz a entrar do banco, enquanto Gonçalo Guedes, apesar de uma exibição infeliz, parece ser a escolha de Martínez para a posição de terceiro avançado. Gonçalo Ramos, apesar de desperdiçar duas oportunidades de golo, está confirmado como suplente no Mundial. Trincão, por sua vez, mostrou detalhes, mas sem garantir ou perder o comboio para a competição. A condição física dos jogadores num ambiente de altitude foi testada, mas as dez substituições feitas por Martínez ao intervalo tornaram difícil aferir conclusões definitivas. A elevada quantidade de bolas transviadas em passes aéreos pode estar relacionada com o ar rarefeito, sugerindo um ganho de experiência para os jogadores, mesmo que a probabilidade de jogar em cidades de altitude no Mundial seja baixa.