José Mourinho não escondeu a emoção ao abordar a perda do amigo Silvino. A homenagem prestada pelo Benfica antes do jogo com o Vitória SC tocou o treinador, que se mostrou visivelmente abalado.
“Honestamente, teve influência na minha alegria, mas era uma coisa que já arrastava há algum tempo. Família e amigos mais íntimos tentámos ao máximo dar-lhe a privacidade que ele queria, mas foi pesado e difícil. No entanto, nunca esteve em causa a minha maneira de trabalhar. Ele próprio, enquanto esteve connosco (na parte final já não estava), tinha uma mentalidade igual à minha. O trabalho é importante, ao trabalho não se pode faltar e tem de se andar para a frente”, afirmou Mourinho, que, ainda assim, fez questão de estar presente no banco de suplentes, um exemplo de profissionalismo que, segundo ele, Silvino aprovaria.
Mourinho revelou ainda o impacto da notícia na sua família: “Não ter podido ir ao último momento… se ele pudesse, diria: ‘Não venhas, vai ao jogo e ganha o jogo’. Foi a minha mulher e os meus filhos que tinham uma relação com ele muito próxima da que eu tinha”. Para o treinador, a dificuldade em aceitar a partida do amigo é real. “Naquele momento não consegui… Ainda ontem a minha mulher repetia: ‘Parece mentira’. Pois, mas às vezes recordamos que é verdade. O Silvino no ecrã gigante do estádio, num momento em que já estava fixado no jogo, fez-me recordar que ele efetivamente foi embora. Enquanto estiverem cá pessoas que o amam — e há muitas, muitas, muitas — ele vai continuar vivo”, concluiu.