A 27.ª jornada da I Liga deparou-se com um confronto entre Benfica e Vitória SC no Estádio da Luz, que terminou com a vitória dos encarnados por 3-0. No rescaldo do embate, os técnicos Gil Lameiras, do Vitória, e José Mourinho, do Benfica, fizeram a sua análise sobre o desempenho das equipas e o resultado final. As suas declarações revelam perspetivas distintas sobre o desfecho do jogo e as implicações para o futuro.
Gil Lameiras, treinador do Vitória, considerou o resultado um tanto exagerado, afirmando: “Sim, penso que é isso. É um placar um pouco exagerado pelo que foi o jogo, o Vitória também jogou. Nestes jogos, ao mínimo erro, paga-se caro. Não podemos cometer erros com bola, em situações que estavam completamente controladas e em que os jogadores se desconcentraram. O terceiro golo surge numa altura em que aparece algum cansaço acumulado, mas nos dois primeiros não. Diria que o resultado é exagerado”. O técnico também salientou a evolução da sua equipa: “Penso que sim, acho que demos alguns passos em frente. Na semana passada não fizemos um bom jogo, não houve muito tempo para trabalhar, mas tivemos mais alguns dias. Com espaço, com bola, não podemos dar as bolas que demos hoje porque o Benfica não vai perdoar. A equipa tem vindo a melhorar, pelo menos mostrou algumas melhorias nestes últimos dias. Não podemos é entregar tantas bolas”. Lameiras ainda destacou a escolha de Miguel para a partida: “O Miguel tem vindo a trabalhar bem, cheguei agora à equipa A. Na semana passada não mudámos nada, porque foi tudo muito rápido. Esta semana, com um número maior de treinos, entendemos que o Miguel era o melhor para este jogo. O Miguel é um jogador muito ofensivo e sabíamos o compromisso que ele nos ia dar”. O treinador concluiu a sua análise com uma nota de orgulho pela resposta emocional da equipa: “Animicamente é estarmos a olhar para o resultado. A forma como conseguimos reagir aos golos, penso que mostra que estávamos preparados animicamente para o jogo. Quanto à questão emocional, acho que demos boa resposta. A equipa correspondeu, apesar do resultado. Não aceitamos vitórias morais, mas estou muito orgulhoso pelo que os jogadores fizeram. Isso dá-nos algumas coisas para nos agarrar. Hoje não entrámos bem no jogo, conseguimos reagir. A equipa conseguiu sempre reagir depois das perdas. Vejo algum crescimento, estou contente por eles, triste pelo resultado. Penso que temos condições para olhar para o que a equipa fez e transportar para o futuro”.
José Mourinho, técnico do Benfica, destacou o trabalho da sua equipa durante a semana e a justiça do triunfo: “Os dois primeiros golos surgem dessa pressão alta que nós organizamos bem e que nós trabalhámos bem durante a semana, mas a partir de metade da primeira parte eles, de maneira inteligente, posicionaram os jogadores de modo diferente e foi mais complicado para nós. Não os pressionámos nesse período até ao final da primeira parte, porque os jogadores estavam um bocadinho confusos com a dinâmica posicional do Vitória, diferente da que tínhamos preparado. Ao intervalo fizemos uma boa seleção de imagens da primeira parte, analisamos, definimos os timings e a pressão para essa pressão e, depois, na segunda parte, voltamos a controlar. O segundo golo acaba com o jogo”. Mourinho também abordou a pressão sobre o Sporting: “Não faço a mínima ideia se lhes causará mais pressão. Principalmente para o FC Porto, a diferença é significativa. No caso do Sporting, como ainda temos um jogo para jogar, três pontos de diferença deixam ainda um ponto de interrogação grande”. O treinador encarnado não escondeu a sua satisfação com a continuidade dos clubes portugueses nas competições europeias: “Não, fiquei contente pelo futebol português porque são pontos importantes. Fiquei contente pelo Rui Borges que foi massacrado por um jogo que não devia ter perdido. Ok, eu também perdi lá e foi por números maiores. Fiquei contente pelo Rui. Digo sempre que as equipas portuguesas são sempre candidatas a ganhar a Liga Europa. O FC Porto e o Sporting de Braga estão ali para ganhar a Liga Europa. Ganhar a Liga dos Campeões é que é mais complicado. Se me perguntarem se gostava que o Sporting fosse campeão europeu, não gostava. Já sei que vão rebentar comigo, mas não gostava. O último em Portugal fui eu, não gostava mesmo”. As declarações dos treinadores, cada um à sua maneira, sublinham a intensidade do futebol português e as ambições dos clubes na reta final da temporada.