Num discurso proferido na Gala Cosme Damião, poucas horas após uma noite memorável em Alvalade, Rui Costa, presidente do Sport Lisboa e Benfica, expressou de forma contundente o seu desagrado com o estado atual do futebol português. As suas palavras, consideradas por muitos como um sinal de “lucidez”, não deixaram ninguém indiferente. “Não podemos, nem vamos aceitar de forma alguma, o que se tem passado no futebol português”, vincou o líder encarnado, sublinhando a insatisfação com a realidade que se desenrola nos relvados nacionais.
A crítica de Rui Costa abrange diversos aspetos que, na sua perspetiva, o Benfica não pode tolerar. O presidente fez referência direta ao sucesso recente do rival, afirmando que o Benfica “não pode aceitar que o Sporting seja o atual bicampeão nacional” e que esteja “a alimentar a esperança do tricampeonato nacional”. As ambições europeias do Sporting também foram alvo de menção, com Rui Costa a referir que o Benfica “não pode aceitar que o Sporting seja a grande equipa portuguesa na Liga dos Campeões”. A crítica não se limitou ao Sporting, estendendo-se também ao FC Porto. O presidente do Benfica indicou que o clube “não pode aceitar que o FC Porto seja hoje o líder da Liga” e que “o FC Porto seja um dos principais favoritos ao título da Liga Europa”. A performance em campo dos dois rivais foi igualmente abordada: “Não podem aceitar que o FC Porto e o Sporting estejam a praticar um melhor e mais consistente futebol”, disse, apontando ainda para as contratações mais cirúrgicas de Sporting e FC Porto.
Além da performance dos rivais, Rui Costa apontou o dedo a questões internas do Benfica. O elevado investimento sem o retorno esperado foi um dos pontos de discórdia: “Não podem aceitar mais um investimento acima dos 100 milhões de euros no mercado e pouco (ou nada) ganhar”. A gestão de contratações foi igualmente criticada, com o presidente a mencionar o caso de Sudakov, referindo que o Benfica “não pode aceitar que uma das suas maiores compras de sempre (Sudakov) seja reserva habitual”, e Richard Ríos, dizendo que o Benfica “não pode aceitar que a sua maior compra de sempre (Richard Ríos) praticamente não tenha impacto na equipa”. A instabilidade no comando técnico e a falta de aproveitamento da formação foram igualmente ressalvadas: “Não podem aceitar que haja uma troca recorrente de treinador logo no começo de uma temporada” e “Não podem aceitar que uma das melhores e mais conceituadas formações da Europa seja tão pouco aproveitada”. Por fim, a comunicação do clube também foi alvo de reparos, com Rui Costa a declarar que o Benfica “não pode aceitar que a própria comunicação seja motivo de chacota e pesadas críticas em todos os cantos do mundo”. A mensagem é clara: Rui Costa considera que o Benfica “não pode, de todo, aceitar a atual realidade” e que mudanças são imperativas.