Anísio Cabral, o jovem avançado de 18 anos que foi campeão do Mundo de sub-17, tem vivido uma temporada de altos e baixos no Benfica. Após uma estreia promissora pela equipa principal, onde marcou dois golos e renovou contrato até 2031 com o clube da Luz, a sua afirmação parece ter estagnado. Curiosamente, foi após a oficialização do novo vínculo, a 16 de fevereiro, que a presença de Anísio nas escolhas de José Mourinho diminuiu drasticamente. Nos cinco jogos seguintes à renovação (Real Madrid, AVS, Real, Gil Vicente e FC Porto), o jovem talento somou apenas nove minutos em campo. Por outro lado, Franjo Ivanovic, que antes parecia estar em segundo plano, recuperou a confiança do treinador.
Antes da renovação, Anísio era aposta regular de Mourinho, entrando como suplente em três jogos. Marcou um golo de cabeça contra o Estrela da Amadora, e outro golo crucial contra o Alverca que garantiu a vitória. Mourinho, inclusive, fez comparações com Didier Drogba: “quanto ao teto do Anísio, depende de muitas coisas. O potencial está lá. A fisicalidade também. O jogo de costas para a baliza. Os movimentos em profundidade. Tem coisas de costas para a baliza muito parecidas com o jogador que eu tive. Muito parecido”
, afirmou o técnico. Contudo, Mourinho apontou uma área a melhorar: “se vocês se lembrarem do jogo com o Tondela, há um remate dele já no fim, à meia volta, que encontra o guarda-redes mesmo na trajetória. Se ele pega mal na bola, e a bola desvia do guarda-redes, faz golo também em Tondela. Tem golo. E vocês vão rir e vão chamar-me de idiota, mas o jogo de cabeça dele não é bom. Ele faz dois golos fantásticos de cabeça, mas o jogo de cabeça dele não é bom. E com a estrutura física que ele tem, é algo que ele tem de trabalhar”
. Mourinho reforçou a necessidade de desenvolvimento: “quem? Drogba, de costas para a baliza. Só que depois Drogba, cinco cruzamentos, cinco golos de cabeça. E ele fez dois em dois cruzamentos, mas acho que foi um milagre porque ele de cabeça não é bom. Tem muito que melhorar de cabeça”
. Após a renovação, Anísio viu a sua utilização reduzida a escassos minutos frente ao AVS, não sendo inclusive utilizado contra o Gil Vicente e o FC Porto.
Paralelamente, Sidny Lopes Cabral, reforço de inverno do Benfica, também enfrenta dificuldades para se afirmar na equipa. Contratado ao Estrela da Amadora por seis milhões de euros, o lateral não joga desde o confronto com o Real Madrid na Liga dos Campeões, onde os encarnados foram eliminados. A polémica surgiu após a partida, quando Cabral pediu a camisola a Vinícius Júnior, um gesto que não foi bem recebido no clube e que, posteriormente, o próprio jogador percebeu que poderia ter implicações no balneário, levando-o a esclarecer a situação com os responsáveis do clube. José Mourinho comentou o incidente na antevisão do jogo contra o Gil Vicente: “não acho que seja criticável, mas acho que era evitável”
. O treinador acrescentou: “não é criticável porque acho que é uma prática normal, principalmente em jogos grandes e com jogadores com quem se identificam ou admiram. Vejo apenas que seja criticável em função do que aconteceu durante a semana”
. Desde esse episódio, Sidny Lopes Cabral não tem sido utilizado, apesar de ter demonstrado o seu valor com um golo e três assistências em 11 jogos. O atleta tem realizado trabalho extra no ginásio para provar a sua dedicação. A hierarquia de pontas de lança do Benfica parece agora ter Vangelis Pavlidis como figura principal, apesar de um momento de menor inspiração. Henrique Araújo, outro avançado do plantel, continua longe da equipa principal. Com o Benfica focado no campeonato e nos últimos nove jogos, as escolhas de Mourinho serão cruciais para definir o futuro destes jovens talentos e o plantel para a próxima temporada.