A semana dos clássicos entre Benfica e FC Porto e SC Braga e Sporting, ambos com empates a dois golos, foi marcada por uma atmosfera de grande controvérsia e acusações. Em vez de se focar apenas no espetáculo dentro das quatro linhas, o debate público foi dominado por confrontos verbais e trocas de acusações entre os dirigentes dos principais clubes. Esta situação levou a uma reflexão profunda sobre o estado atual do futebol português, com críticas à falta de elevação e ao jogo subterrâneo
que parece persistir. Em particular, a discussão acendeu-se após o jogo da Taça entre os leões
e os dragões
, um confronto que gerou mais polémica fora do campo do que dentro dele. “A semana que antecedeu o Benfica-FC Porto e o SC Braga-Sporting, que acabaram ambos empatados, foi uma semana negra, não apenas (por causa dos antecedentes) mas principalmente pelo que aconteceu no jogo da Taça entre ‘leões’ e “dragões”, com a equipa de Alvalade a tomar avanço na eliminatória pelo golo marcado por Luís Suárez, de penálti.”
As palavras proferidas pelos presidentes Frederico Varandas e André Villas-Boas foram duramente criticadas, sendo comparadas a uma briga
entre garotos pequenos
. O comportamento dos dirigentes é visto como um retrocesso, contrariando a expectativa de uma postura mais profissional e menos inflamada. “Villas-Boas e Varandas sujaram-se na lama, na sequência do que foi o jogo de Alvalade para a “Taça” e pareciam garotos pequenos - passe a expressão - à porrada.”
Esta atitude, adverte-se, é um problema crónico do futebol em Portugal, minando a credibilidade e afastando novos públicos. “Não se pode falar de uma inflamação momentânea, pontual ou esporádica, enquadrada num deslize ou num desvio que, se não for regra, mereceria a nossa relativização. O problema é que se trata de [deste] um padrão. Um padrão que se enraizou no futebol português durante décadas”
e que “protagonistas de outra geração e aparentemente com outros princípios iriam derrubar, em nome de um futebol mais despoluído, mais sério e mais respeitoso entre todos os intervenientes.”
De facto, “Há sempre quem goste de ver os presidentes embrulhados na lama, cada qual a dizer tudo o que lhes apetece, sem limites, assim a modos como o adepto que não quer saber de nada.”
A crítica estende-se também à reação de André Villas-Boas após a derrota em Alvalade: “você, André, fez logo após a derrota em Alvalade. De tudo o que disse, só se aproveitou a denúncia que fez em relação ao gesto de “roubar” de Luís Suárez, porque isso sim foi defender legitimamente os interesses do FC Porto. O resto foi ruído, poeira e falta de rigor.”
O seu discurso, outrora focado na transparência, parece agora ter-se alterado, gerando desilusão: “O discurso mudou tanto que AVB nem parece AVB.”
Por outro lado, Frederico Varandas também é admoestado pela forma como se expressou: “não posso validar a forma como se expressou aos microfones da comunicação social, nomeadamente como repetiu para AVB a expressão “cobarde, cobarde, cobarde” (mesmo que tenha esse entendimento). O que é isto? Um médico e um militar não confundem indignação com ódio. E a sua prestação, nesse contexto, foi infantil.”
Em relação a Rui Costa, a análise aponta para a importância da vitória no clássico para o Benfica: “Neste clássico com o FC Porto estava em causa a decapitação final, ou não, do Benfica neste campeonato. Ou até a sua recandidatura mais forte ao título.”
O artigo termina com a questão de como se lida com a falta de “palavra de reprovação sobre o tipo de abordagem e comportamento públicos que temos assistido nas últimas semanas? É isto que querem para o futebol português? Nem sequer um ai de indignação? Um alerta?”