O antigo avançado Jimmy Floyd Hasselbaink não poupou nas críticas a José Mourinho, treinador do Benfica, após os comentários do português sobre a polémica envolvendo Vinícius Júnior e Gianluca Prestianni. A controvérsia reacendeu o debate sobre o racismo no futebol, um tema que Hasselbaink conhece bem pelas suas próprias experiências.
A polémica teve origem num jogo da UEFA Champions League, onde Vinícius Júnior acusou Prestianni de abuso racial. Mourinho, ao invés de condenar o sucedido sem reservas, relacionou o incidente com a celebração do golo de Vinícius. A postura do técnico mereceu uma resposta contundente do antigo internacional neerlandês. “Do que é que ele está a falar? Que hipócrita. Que hipócrita descarado. Inacreditável. Ele devia ter ido ter com o seu jogador e perguntar-lhe verdadeiramente: 'O que é que disseste?'. E realmente confrontá-lo. 'O que é que disseste?'. E depois, se ele dissesse que não o insultou racialmente, tu dirias: 'Ok, falei com o jogador e foi isso que ele disse. Se ele o insultou racialmente, precisa de ser castigado.' Mourinho tem jogadores negros na equipa do Benfica. Como é que eles se devem sentir?”, questionou Hasselbaink em entrevista ao The Guardian
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Hasselbaink insiste na sua perspetiva sobre a atitude do jogador do Benfica de tapar a boca durante a discussão: “Ele deve ter dito algo polémico, senão por que razão taparia a boca? Não vais tapar a boca e dizer: 'Vinícius, és um jogador magnífico, absolutamente fantástico, posso ficar com a tua camisola?'”. Recordando os seus tempos de jogador, o antigo avançado partilhou experiências de racismo, mesmo que as suas não se comparem com a frequência dos ataques a Vinícius Júnior: “Faz-te sentir um inútil. Faz-te sentir uma m****. Toda a gente seguiu em frente. Não se falou muito sobre o assunto. As pessoas viram. O que podes fazer quando estás sozinho?”. Perante a dificuldade de provar o ocorrido entre Vinícius e Prestianni, o neerlandês referiu: “Todos pensamos que ele disse alguma coisa, porque é que ele está a tapar a boca? Mas não o podemos provar. Essa ainda é uma área cinzenta”. Hasselbaink defende medidas mais fortes, incluindo a proibição de tapar a boca em campo e “irradiação vitalícia para adeptos e suspensões mais longas para jogadores, sem direito a salário”.