Mourinho reage às críticas e projeta o clássico com o FC Porto

  1. Mourinho ainda não venceu Sporting, Porto ou Braga.
  2. Mourinho agradeceu mensagem de Farioli.
  3. Aursnes é ausência confirmada no clássico.
  4. Benfica está a sete pontos do líder.

José Mourinho, treinador do Benfica, abordou diversos temas chave na antevisão ao clássico com o FC Porto. Mourinho começou por abordar a particularidade de, desde que chegou ao clube da Luz em setembro, ainda não ter conseguido vencer Sporting, FC Porto e SC Braga. Confrontado com esse facto, o técnico não hesitou em ser direto na sua resposta.

“Isso aconteceu porque os treinadores do Sporting e do FC Porto são melhores do que eu. E o motivo pelo qual os benfiquistas podem acreditar [na vitória] é por aquilo que a equipa tem feito de bom, ganhando a esses adversários que você teve a gentileza de referir. Mesmo nos jogos que não conseguimos ganhar a FC Porto e Sporting, competimos a sério e perdemos um desses jogos e poderíamos não ter perdido. E empatámos dois que poderíamos ter ganho. A proximidade à vitória é suficiente para os adeptos irem à Luz e acreditarem que podemos ganhar”, explicou Mourinho. Mais tarde, Mourinho reiterou: “Porque é que não venci? Porque o treinador de Sporting e FC Porto são melhores do que eu. Porque é que os benfiquistas podem acreditar na vitória amanhã? Por aquilo que a equipa tem feito de bom. Mesmo nos jogos em que não conseguimos ganhar contra Sporting e FC Porto, competimos a sério. Num desses jogos, podíamos não ter perdido. Essa proximidade à vitória é suficiente para os adeptos confiarem.”

O treinador encarnado falou também sobre o papel dos adeptos no clássico, frisando a importância do apoio dos mesmos. “É sempre a mesma história. Utilizo muitas vezes estas palavras, ir ao jogo para ver o jogo ou ir para jogar o jogo. Há adeptos que vão para ver e pagam o seu bilhete e não são criticáveis. Há outros que vão para jogar o jogo. Quando tens muita gente que vai ao jogo para jogar o jogo é quando crias um ambiente de positividade atrás da tua equipa, neste caso a que joga em casa. Há meses que ganhamos jogos a pensar neste jogo. Aquilo que nos motivou quando tínhamos 10 pontos de desvantagem, quando tivemos jogos difíceis de jogar, era poder chegar a este jogo em condições de lutar seriamente pelo campeonato. Se estivéssemos a 14/15 pontos, se tivéssemos empatado em Barcelos, nos Açores, em outros jogos difíceis, a grande motivação era chegar a este jogo em condições de dizer: vamos lá ver se conseguimos lutar pelo título. Tendo feito assim tão bem como os rapazes fizeram, acho que os rapazes merecem esse apoio extra, que foi o apoio que o FC Porto teve contra nós nos dois jogos em casa”, disse Mourinho.

Sobre a dificuldade de defrontar os dragões, Mourinho abordou a qualidade do adversário e a complexidade de jogar contra eles. “Não me sinto muito confortável em comentar palavras do Francesco, mas do que o Gonçalo me passou as palavras foram positivas, simpáticas e agradáveis de ouvir. Não me sinto confortável. Honestamente, não sinto que devo fazer essa avaliação, se está melhor ou pior, não quero ir por aí, quero ir na direção de que o jogo é muito difícil, contra uma equipa por natureza difícil. Eu referi quando jogámos contra eles, tive umas palavras que na minha opinião eram normais e ainda fui criticado por elas, mas não tenho problema nenhum em repetir. É uma equipa fácil de analisar, de decifrar. Até é um elogio. Têm princípios percetíveis, mas é muito difícil jogar contra eles, há equipas mais difíceis de decifrar, variam muito princípios de jogo para jogo, e é mais fácil jogar contra essas equipas, porque têm essa variabilidade, mas depois também têm muitas debilidades. O FC Porto é muito difícil de jogar contra eles”, afirmou Mourinho.

Referindo-se às palavras de Farioli, Mourinho disse: “Relativamente às palavras dele sobre mim, seja como treinador ou pessoa, já lhe agradeci. Não falámos ao telefone, mas já lhe enviei mensagem. Conhecemo-nos há um bom par de anos e, ao longo deste bom par de anos, temos sempre trocado palavras e algumas telefonadelas de circunstância e já lhe agradeci. Se não me tivesse perguntado, não o mencionaria, mas perguntou e aproveito para dizer o que fiz. Acho que a última mensagem que trocámos foi pelo Natal, agora senti a necessidade de fazê-lo.” E também: “Se ele diz que nós somos o maior rival, é uma opinião sua. Se me perguntarem quem são os nossos, ou o nosso maior rival na luta pelo título, eu digo que é o FC Porto porque jogamos amanhã com o FC Porto, é o FC Porto porque é a equipa que vai em primeiro lugar, mas objetivamente eu considero que o Sporting e o FC Porto são verdadeiramente os nossos rivais, estão à nossa frente.”

O treinador benfiquista abordou as ausências para o clássico, algumas ainda por revelar. “Há rapazes que não podem ir. Tivemos uma boa semana, a trabalhar dia a dia. Acho que estão preparados, temos a ausência já conhecida do Aursnes. Temos eventualmente alguma não conhecida, tivemos alguns percalços nos últimos dias. Se isso vier a acontecer, faz parte. Vamos com quem está pronto.” Deixou ainda um desafio aos jornalistas: “Dou-vos esse trabalho de investigação. Para alguns, basta alguma chamada. Há sempre alguma toupeira aí escondida que o dirá. Trabalhem, vão à procura. Não dou tangas, estamos em dificuldade com um par de jogadores que são titulares.”

Por fim, em relação ao que esperar do clássico e a importância do mesmo nas contas do campeonato, Mourinho manteve a cautela. “Não sei o que esperar honestamente. Dizer o que se espera tem sempre um risco elevado, futebol é imprevisível, podemos falar de intenções, agora, dizer o que nos espera é complicado. As contas do campeonato fazem-se jogo a jogo, tem sido assim desde o início do campeonato e será assim até que matematicamente estejam abertas, seja para campeão, Europa, descida. Enquanto a matemática o permitir, os jogos têm todos a mesma importância. Mas, objetivamente, a distância para o primeiro é de sete pontos. Imaginando, não quero imaginar porque sou otimista, com dose de pessimismo, que sete que se podem transformar em dez seria um passo de gigante para as nossas possibilidades de ser campeão se esfumarem. Não quero ser pessimista e pensar nisso e quero ser o mais pragmático possível, enquanto matematicamente as coisas forem possíveis, vamos com tudo o que temos.”

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