Vitinha, médio internacional português, concedeu uma entrevista franca ao Canal 11, abordando múltiplos temas, desde a sua admiração por João Neves, passando pelo seu percurso no Paris Saint-Germain, até à sua visão sobre o futuro. O jogador mostrou-se um grande admirador do jovem ex-Benfica, revelando que tentou influenciá-lo a rumar a Paris e recordando o impacto que Neves causou na Seleção Nacional.
“Senti o impacto na primeira vez que o vi na Seleção, ele ainda não estava no PSG. O impacto dele a chegar ali, super jovem, mas muito adulto, muito maduro. Sei o que me custou, o tempo que demorei a ambientar-me e integrar-me. E ele foi muito natural. Notava-se logo uma personalidade forte e vincada. É difícil chegar e ter isso, e ele teve. Somos muito amigáveis a receber, ele podia estar mais tímido, mas sempre foi muito senhor, apesar da idade”
, partilhou Vitinha, destacando a personalidade de João Neves. O médio do PSG revelou ainda ter feito um esforço pessoal para que Neves se juntasse ao clube parisiense: “Eu tentei convencê-lo a vir para cá, mesmo ele não me conhecendo muito bem. Dei o toque, porque sabia que era muito bom para nós. Do que vi… sabia que o PSG tinha interesse, mas disse-lhe: “João, se puderes, já sei que terás outros a puxar para o barco deles, mas adorava que viesses”. O Bruno fez isso a cem por cento [risos]. Infelizmente para ele, não conseguiu, porque veio para aqui e bem.”
A sua admiração por Neves também se estende ao campo, onde o vê como um jogador ainda mais completo do que o que é visível: “Não fui um visionário, quem partilhou o campo com ele naqueles primeiros treinos viu. Via-o na televisão, mas achei que era ainda mais jogador. Vi outras coisas, outras nuances do jogo dele. Já viram algumas coisas, principalmente na parte ofensiva, já fez um hat-trick, tem pormenores e jogadas incríveis, mas ele consegue fazer isso muitas vezes, durante muito tempo. Não foi uma vez por acaso. Conhecendo a pessoa que está por trás, fiquei com ainda mais certeza de que pode correr tudo bem.”
Relativamente ao seu próprio futuro, Vitinha foi categórico ao afastar qualquer possibilidade de saída para o Real Madrid ou para a Arábia Saudita, mostrando-se totalmente realizado no PSG. “Acho que não é o melhor para mim neste momento. Sinto-me super bem aqui no PSG. Sinto que as pessoas daqui gostam muito de mim e sinto que consegui merecer esse carinho. Eu adoro estar aqui, a minha família também. Temos um grupo fantástico e um treinador incrível. Seria estúpido se mudasse”
, afirmou, sem rodeios. Questionado sobre os avultados valores oferecidos na liga saudita, Vitinha reconheceu a questão financeira, mas sublinhou que a sua felicidade não está ligada a mais dinheiro: “Não podemos ser ingénuos. São realmente dinheiros importantes que te podem deixar bem para toda a vida. Mas acho que não ligo tanto às coisas que o dinheiro dá. Ligo mais a ter uma carreira de uma certa maneira. Já ganho muito bem aqui na Europa, num clube enorme. Dobrar ou triplicar isso não iria aumentar a minha felicidade.”
O médio recordou ainda o seu primeiro ano no PSG, admitindo as dificuldades de adaptação e um desempenho abaixo das expectativas. “Até novembro ou dezembro, antes do Mundial, as coisas estavam a correr muito bem. A equipa estava a voar e eu sentia-me bem. Depois do Mundial no Catar, as coisas começaram lentamente a cair e acabámos a época mal”
, recordou. Ele explicou como teve de ajustar o seu jogo para o futebol moderno: “Tive de antecipar outras coisas, posicionar-me de outra forma, ver antes de receber. Posso não ir ao contacto, mas não posso não valer para nada”
, considerando-o uma evolução natural, comparada de forma curiosa: “As girafas têm o pescoço longo para chegar às folhas mais altas. Foi uma evolução para conseguir lá chegar.”
O sucesso recente valeu-lhe um lugar no pódio da Bola de Ouro, e Vitinha não hesitou em elogiar o vencedor, Ousmane Dembélé: “Quando disse que o Dembélé era o justo vencedor, não era conversa de ‘chacha’. Foi a nossa referência e o nosso líder dentro de campo. Foi decisivo nos momentos importantes e merecia ganhar.”
Embora satisfeito, manteve os pés na terra: “Sabia que podia ficar num bom lugar, mas nunca criei demasiadas expectativas. Se ficasse fora do top 3, também não me iam ver triste. Mas claro que acabar no pódio foi especial.”
Quando questionado se se considera o melhor médio do mundo, Vitinha preferiu a modéstia, mas reconheceu o seu nível: “Não gosto de dizer que sou o melhor. Parece arrogante, porque isso acaba por ser sempre uma opinião. Mas sei que estou nesse lote.”
Por fim, ao eleger os médios que mais admira, incluiu Pedri no topo e destacou dois compatriotas: “Pedri? É mágico. É espetacular vê-lo jogar. Quando jogas contra ele percebes ainda melhor. [...] Depois, ali no top 3, pesa-me aqui um bocadinho. Os dois é difícil. Eu ponho o João [Neves] e o Bruno [Fernandes]. Os dois ali comigo e com o Pedri. Portanto, eu não faço um top 3, faço um top 4. Podemos jogar a quatro”
, concluiu, entre risos.