José Mourinho, treinador do Benfica, abordou a polémica em torno de Prestianni e as críticas que lhe foram dirigidas, especialmente por Álvaro Arbeloa, durante a antevisão do jogo contra o Gil Vicente. Mourinho não se furtou a responder, defendendo a sua postura de imparcialidade e destacando a importância da presunção de inocência. O técnico fez saber que um dos seus jogadores, se provada a culpa em caso de racismo, não terá futuro na sua equipa.
Mourinho começou por criticar as reações alheias ao caso Prestianni, salientando que as críticas revelam mais sobre quem as faz do que sobre o criticado. “Já respondo à pergunta, mas primeiro tenho de dizer que normalmente antecipo as perguntas que vocês me vão fazer e esperava outras hoje. Antecipo-me e digo que repudio qualquer tipo de discriminação, preconceito e ignorância. Aconselho também todos a lerem a Declaração Universal dos Direitos do Homem e digo que as críticas refletem mais quem as faz do que o criticado”, declarou o treinador. Em relação à postura de Álvaro Arbeloa, Mourinho foi claro: “Eu amo o Álvaro [Arbeloa] e vou continuar a amar, mas acho que fui quem tomou a decisão correta, não ele. Mencionei isso na conferência em Madrid quando fui confrontado com as declarações do Álvaro e de um jogador na acusação ao Prestianni e defesa do jogador do Real. E em que eu disse 'quero ser equilibrado, nem defender o meu nem atacar o outro'. Inclusive, utilizei anteriormente a terminologia 'não quero vestir nem a camisola vermelha, Benfica, ou branca, Real'. Quero ser imparcial num caso que poderá de ser de grande gravidade. O que disse para perderem dez minutos a ler a Declaração, refere-se à presunção de inocência. Se enquanto cidadão sou uma pessoa que repudia qualquer tipo de preconceito ou idiotice, digo eu fiz isso e os outros não fizeram.”
O técnico do Benfica reiterou que a presunção de inocência é um direito fundamental. Contudo, impôs um limite claro para o futuro dos seus jogadores. “Se, repito muitas vezes, se o meu jogador não respeitou estes princípios, que são os meus e do Benfica, a sua carreira com um treinador que se chama Mourinho e num clube como o Benfica chega ao fim. Não sou um letrado, mas não sou um ignorante, e a presunção de inocência é um direito. Se quiserem que repita 20 vezes o que repudio, repito”, afirmou Mourinho. Ele também criticou a UEFA pela forma como lidou com o caso: “Eu continuo com o se, infelizmente a UEFA, para afastar o jogador do jogo, descobriu o artigo 4206328 como motivo para o suspenderem, e também eles não colocaram o se que devia ter sido posto. Se o jogador for efetivamente culpado, não vou voltar a olhar para ele como tenho olhado e comigo acabou, mas tenho de meter muitos ses à frente.”