FIFA pondera novas medidas disciplinares e expulsão para combater racismo no futebol

  1. FIFA pondera expulsão por racismo
  2. Declarações de Gianni Infantino, presidente da FIFA
  3. Críticas de João Gabriel ao Benfica
  4. Novas sanções combinam punição e reabilitação

A FIFA está a ponderar novas medidas disciplinares para combater o racismo no futebol, propondo a expulsão para jogadores que tapem a boca enquanto comunicam com adversários, especialmente em situações de alegados atos discriminatórios. Esta iniciativa surge na sequência do incidente entre Gianluca Prestianni, do Benfica, e Vinícius Jr., do Real Madrid.

Gianni Infantino, presidente da FIFA, em declarações à Sky News, defende uma postura mais rigorosa: “Se um jogador tapa a boca e diz algo, e isso tem uma consequência racista, então ele tem de ser expulso, obviamente”. Infantino sublinha a necessidade de se presumir má-fé nestas situações: “Tem de haver a presunção de que ele disse algo que não devia ter dito, caso contrário não teria de tapar a boca”. A intenção é que o International Football Association Board (IFAB) reforce as leis do jogo até abril, permitindo a implementação das novas regras a tempo do Campeonato do Mundo em junho.

A reação do Benfica ao incidente foi criticada por João Gabriel, antigo diretor de comunicação do clube, que em artigo no Record, considerou a atuação “encarnada” como hesitante e lenta: “O Benfica hesitou. A reação foi lenta, fragmentada, feita aos soluços. Não houve uma mensagem clara, imediata e inequívoca”. João Gabriel lamentou a falta de intervenção do presidente do clube, referindo que: “O presidente do clube era a única figura capaz de travar a escalada do caos que se seguiu, mas essa intervenção não aconteceu quando devia e, depois, não aconteceu como devia.”

A FIFA reconhece a complexidade dos processos disciplinares, mas quer ir além. “Precisamos de agir e de ser decisivos, e isso tem de ter um efeito dissuasor”, afirmou Infantino. O presidente da FIFA também considera uma nova abordagem para as sanções, que combine punição com reabilitação: “Talvez devêssemos pensar não apenas em punir, mas também em permitir, de alguma forma, mudar a nossa cultura, permitindo que os jogadores ou quem quer que faça algo peça desculpa. Pode-se fazer coisas que não se quer fazer num momento de raiva e pedir desculpa, e então a sanção tem de ser diferente.”

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