A FIFA está a ponderar novas medidas disciplinares para combater o racismo no futebol, propondo a expulsão para jogadores que tapem a boca enquanto comunicam com adversários, especialmente em situações de alegados atos discriminatórios. Esta iniciativa surge na sequência do incidente entre Gianluca Prestianni, do Benfica, e Vinícius Jr., do Real Madrid.
Gianni Infantino, presidente da FIFA, em declarações à Sky News, defende uma postura mais rigorosa: “Se um jogador tapa a boca e diz algo, e isso tem uma consequência racista, então ele tem de ser expulso, obviamente”. Infantino sublinha a necessidade de se presumir má-fé nestas situações: “Tem de haver a presunção de que ele disse algo que não devia ter dito, caso contrário não teria de tapar a boca”. A intenção é que o International Football Association Board (IFAB) reforce as leis do jogo até abril, permitindo a implementação das novas regras a tempo do Campeonato do Mundo em junho.
A reação do Benfica ao incidente foi criticada por João Gabriel, antigo diretor de comunicação do clube, que em artigo no Record, considerou a atuação “encarnada” como hesitante e lenta: “O Benfica hesitou. A reação foi lenta, fragmentada, feita aos soluços. Não houve uma mensagem clara, imediata e inequívoca”. João Gabriel lamentou a falta de intervenção do presidente do clube, referindo que: “O presidente do clube era a única figura capaz de travar a escalada do caos que se seguiu, mas essa intervenção não aconteceu quando devia e, depois, não aconteceu como devia.”
A FIFA reconhece a complexidade dos processos disciplinares, mas quer ir além. “Precisamos de agir e de ser decisivos, e isso tem de ter um efeito dissuasor”, afirmou Infantino. O presidente da FIFA também considera uma nova abordagem para as sanções, que combine punição com reabilitação: “Talvez devêssemos pensar não apenas em punir, mas também em permitir, de alguma forma, mudar a nossa cultura, permitindo que os jogadores ou quem quer que faça algo peça desculpa. Pode-se fazer coisas que não se quer fazer num momento de raiva e pedir desculpa, e então a sanção tem de ser diferente.”