Luisão critica postura do Benfica em caso de racismo

  1. Luisão critica "adesão imediata" do Benfica
  2. Uso da imagem de Eusébio como escudo
  3. Crise moral pior que desportiva
  4. Racismo é chaga que precisa ser combatida

Luisão, antigo jogador e capitão do Benfica, manifestou novamente a sua preocupação com a postura do clube da Luz perante a acusação de racismo feita por Vinicius Júnior a Gianluca Prestianni. O brasileiro não escondeu a sua surpresa pela adesão imediata dos encarnados “ao discurso do jogador acusado”, conforme partilhou nas suas redes sociais. “Como ex-capitão e alguém que dedicou tantos anos da sua vida ao Benfica, não posso esconder a minha preocupação diante da postura adotada pelo clube nas acusações de racismo feitas por Vini Jr. a um de nossos atletas. Para o meu espanto, a reação institucional foi de adesão imediata ao discurso do jogador acusado, sem que, aparentemente, houvesse qualquer interesse genuíno em apurar os acontecimentos após uma denúncia tão grave”, escreveu Luisão, sublinhando a falta de um apuramento genuíno dos factos.

O antigo central criticou também a comunicação do clube, especialmente no que diz respeito ao uso da imagem de Eusébio. “O uso da imagem de Eusébio, nossa maior lenda, como um escudo que supostamente blinda o clube de ser falível no combate ao racismo foi no mínimo doloroso, assim como as inúmeras tentativas de descredibilizar a vítima”, afirmou. Luisão lamentou o que considera ser uma deturpação dos valores históricos do Benfica, acrescentando que o clube enfrenta agora uma crise de outra natureza, mais profunda do que as desportivas. “Doloroso porque o Benfica sempre foi maior do que qualquer circunstância, qualquer jogador, dirigente ou momento. Sempre se apresentou como uma instituição de valores, de dimensão humana e de responsabilidade histórica. Foi assim que eu aprendi e que vivi desde o momento em que cheguei à Luz, em 2003, quando o clube vivia uma de suas maiores crises desportivas. Hoje, porém, vivemos um outro tipo de crise, muito pior, porque é moral, e que me gera questionamentos inevitáveis: do lado de quem estamos? E, mais importante ainda, de que lado estamos? O que defendemos nas nossas vidas? Queremos realmente enfrentar o problema de frente ou só desejamos convenientemente varrê-lo para debaixo do tapete?”, questionou o ex-capitão, pondo em causa a forma como os encarnados estão a lidar com a situação.

Luisão concluiu a sua intervenção com uma mensagem forte sobre a importância do combate ao racismo e o seu impacto na imagem do clube. “Racismo não é opinião. É uma chaga que precisa ser combatida com firmeza e responsabilidade”, frisou. Em vésperas de mais um aniversário do clube, o antigo defesa expressou a sua tristeza perante a situação. “Às vésperas de mais um aniversário do Benfica, é doloroso ver este gigante, por natureza e por história, sofrer nas mãos de quem aparentemente tenta apequená-lo moralmente. O Benfica que eu conheci e defendi dentro de campo sempre esteve do lado certo da história”, escreveu, apelando a que o clube esteja à altura da sua grandeza. “O tempo se encarregará de mostrar, com plena justiça, quem esteve de que lado das trincheiras. E eu espero, sinceramente, que estejamos à altura da grandeza que sempre nos definiu”, finalizou.

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