O antigo capitão do Benfica, Luisão, manifestou publicamente a sua profunda preocupação e desapontamento com a forma como o clube tem gerido o caso de alegado racismo envolvendo Gianluca Prestianni e Vinícius Júnior. Através das suas redes sociais, Luisão não poupou nas críticas, sublinhando que a instituição “vive uma crise moral”
e que “é doloroso ver este gigante, por natureza e por história, sofrer nas mãos de quem aparentemente tenta apequená-lo moralmente”
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Em sua declaração, Luisão foi categórico ao afirmar: “Não posso esconder a minha preocupação diante da postura adotada pelo clube nas acusações de racismo feitas por Vini Jr. a um de nossos atletas. Para o meu espanto, a reação institucional foi de adesão imediata ao discurso do jogador acusado, sem que, aparentemente, houvesse qualquer interesse genuíno em apurar os acontecimentos após uma denúncia tão grave.”
O ex-jogador também criticou a utilização da imagem de Eusébio: “O uso da imagem de Eusébio, nossa maior lenda, como um escudo que supostamente blinda o clube de ser falível no combate ao racismo foi no mínimo doloroso, assim como as inúmeras tentativas de descredibilizar a vítima.”
Ele relembrou a história e os valores do clube: “Doloroso porque o Benfica sempre foi maior do que qualquer circunstância, qualquer jogador, dirigente ou momento. Sempre se apresentou como uma instituição de valores, de dimensão humana e de responsabilidade histórica. Foi assim que eu aprendi e que vivi desde o momento em que cheguei à Luz, em 2003, quando o clube vivia uma de suas maiores crises desportivas.”
Luisão concluiu a sua intervenção realçando a gravidade da situação e a necessidade de uma reflexão profunda. “Hoje, porém, vivemos um outro tipo de crise, muito pior, porque é moral, e que me gera questionamentos inevitáveis: do lado de quem estamos? E, mais importante ainda, do lado de quê estamos? O que defendemos nas nossas vidas? Queremos realmente enfrentar o problema de frente ou só desejamos convenientemente varrê-lo para debaixo do tapete?”
, questionou. Ele insistiu que “Neste momento, é isso que está verdadeiramente em debate. Não se trata de rivalidades, de proteger A ou B. Trata-se de princípios. Racismo não é opinião. É uma chaga que precisa ser combatida com firmeza e responsabilidade, e talvez, como sociedade, o primeiro passo seja o mais difícil: olharmos no espelho e examinarmos nossas consciências.”
De forma contundente, acrescentou: “Às vésperas de mais um aniversário do Benfica, é doloroso ver este gigante, por natureza e por história, sofrer nas mãos de quem aparentemente tenta apequená-lo moralmente. O Benfica que eu conheci e defendi dentro de campo sempre esteve do lado certo da história.”
Finalizou com um apelo à responsabilidade: “O tempo se encarregará de mostrar, com plena justiça, quem esteve de que lado das trincheiras. E eu espero, sinceramente, que estejamos à altura da grandeza que sempre nos definiu.”