O treinador português Carlos Carvalhal concedeu, esta quarta-feira, uma extensa entrevista ao diário desportivo espanhol AS, onde abordou a polémica em torno de Gianluca Prestianni e Vinícius Júnior. A propósito de um alegado insulto racista do argentino contra o brasileiro na terça-feira da semana passada no Estádio da Luz, o técnico, que conta com uma passagem pelo Sporting de Braga, defende a presunção de inocência de Prestianni e pede um esclarecimento urgente por parte da UEFA, que, entretanto, recusou o recurso do Benfica, pelo que o avançado argentino falhou o jogo desta quarta-feira no Estádio Santiago Bernabéu. Carvalhal foi perentório ao afirmar que “primeiro, é preciso ser contra qualquer ato de racismo, seja contra quem for; segundo, acho que é hora de um tribunal da UEFA explicar o que aconteceu (além da suspensão provisória); por último, sou a favor da presunção de inocência neste e em todos os casos. Se for provado que foi racismo, Prestianni deve ser severamente punido”.
O técnico português insistiu na ideia de que é crucial considerar todas as perspetivas e que é importante que a verdade seja esclarecida antes de qualquer condenação. “Parto do princípio de que as duas partes dizem a verdade. Não estou aqui para criar qualquer tipo de dúvida. Simplesmente, há duas versões. Infelizmente, as câmaras não provam qual é a verdadeira. Imaginem que não é verdade. Estamos a condenar um jovem prodígio de 20 anos a ter um grande problema para o resto da sua vida, não sendo verdade. Mas, por outro lado, se for verdade e for provado, que ele seja punido severamente”, vincou. Carlos Carvalhal apelou ainda à punição dos adeptos que protagonizaram gestos racistas no Estádio da Luz, algo que o Benfica já se prontificou a fazer: “O Benfica está a tentar identificar algumas pessoas que fizeram gestos muito desagradáveis. É mais fácil provar que houve dois, três ou cinco adeptos que fizeram gestos através das câmaras do que a situação de Prestianni e Vinicius”, sustentou.
A controvérsia em torno de Prestianni adensou-se quando o avançado argentino, após a decisão da UEFA em rejeitar o recurso do Benfica, fez uma publicação nas redes sociais, que pouco depois apagou, acusando o organismo que tutela o futebol europeu de favorecer o emblema espanhol. “Dar um murro sem bola pode-se, vê-se e sanção nenhuma. Castigar sem provas pode-se, vê-se. Já nem tentam esconder com o Real. Dão vergonha”, escreveu. Esta declaração não passou despercebida e poderá valer um castigo ao jogador do Benfica. De acordo com o regulamento da UEFA, no artigo 11, sobre os princípios gerais de conduta, “as entidades e pessoas sujeitas a estes regulamentos devem respeitar as Regras do Jogo, bem como os Estatutos, regulamentos, diretivas e decisões da UEFA, e cumprir os princípios de conduta ética, lealdade, integridade e espírito desportivo”. As sanções para este tipo de infração, perante conduta que provoque “descrédito ao futebol e à UEFA em particular”, podem variar desde uma advertência a uma multa de até 500 mil euros, suspensão por um número específico de jogos ou por um período determinado, ou mesmo o jogador ser banido de qualquer atividade relacionada com o futebol.