Numa entrevista ao jornal As, Carlos Carvalhal abordou a polémica em torno das acusações de racismo envolvendo Gianluca Prestianni e Vinícius Júnior. O técnico realça a importância da presunção de inocência, especialmente quando se trata de um jovem jogador. “Até agora, não houve nenhum incidente [anterior]. Perguntei a opinião dos colegas sobre ele e eles disseram que era um bom rapaz, que não tinha nenhum tipo de incidente desse tipo. Eu estava a comentar o jogo e disse mais ou menos isto: primeiro, é preciso ser contra qualquer ato de racismo, seja contra quem for; segundo, acho que é hora de um tribunal da UEFA explicar o que aconteceu (além da suspensão provisória); por último, sou a favor da presunção de inocência neste e em todos os casos. Se for provado que foi racismo, Prestianni deve ser severamente punido”, afirmou Carvalhal, defendendo a necessidade de um processo justo para apurar os factos.
Carvalhal explorou os dois cenários da situação, evidenciando a dualidade e a ausência de provas concretas que sustentem qualquer uma das versões. “Parto do princípio de que as duas partes dizem a verdade. Não estou aqui para criar qualquer tipo de dúvida. Simplesmente, há duas versões. Infelizmente, as câmaras não provam qual é a verdadeira. Imagine que não seja verdade. Estamos a condenar um jovem prodígio de 20 anos a ter um grande problema para o resto da vida, sem que seja verdade. Mas, por outro lado, se for verdade e for provado, que seja punido severamente”, explicou o ex-treinador, que vê com preocupação o impacto que uma condenação infundada poderia ter na carreira do jovem avançado. A situação de Prestianni assume ainda maior relevância dado o Benfica ter apoiado publicamente o seu jogador, que nega ter proferido as palavras do qual é acusado. “O Benfica está a tentar identificar algumas pessoas que fizeram gestos muito desagradáveis. É mais fácil provar que houve dois, três ou cinco adeptos que fizeram gestos através das câmaras do que a situação de Prestianni e Vinícius”, referiu, contrastando a dificuldade em provar o caso de Prestianni com a facilidade em identificar adeptos com comportamentos racistas, para os quais exige punição.
Na antevisão do decisivo jogo entre o Real Madrid e o Benfica, a contar para a segunda mão do play-off de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões, Carvalhal lamentou a ausência de José Mourinho, que não estará no banco devido a castigo, afirmando que “Mourinho fazia falta ao Benfica no Bernabéu”. O técnico projetou também o onze
provável do Benfica, sugerindo mudanças táticas e a entrada de Lukebakio na direita, realçando que “Aponta-se que Lukebakio possa jogar na direita... Ele tem muita experiência, boas situações de um contra um”. O treinador também teceu a sua opinião sobre a titularidade de Sudakov, por a equipa do Real atuar com quatro médios. “Outra dúvida que tenho é que, na ida, Mourinho colocou Rafa Silva como segundo avançado, ao contrário do outro jogo em que jogou com Sudakov. Tendo em conta que o Real Madrid neste momento joga com quatro médios, vejo como muito possível que Sudakov possa jogar a volta como titular”, admitiu. “Tudo é possível, mas é muito difícil. Neste momento, o Real Madrid tem tudo para passar, mas é futebol. Nós sabemos como é o futebol. Se conseguires aguentar o 0-0 até aos 75-80 minutos, hoje em dia, o Benfica tem jogadores no banco que em 10-15 minutos podem transformar algo. Isso também pode acontecer. Mas é muito difícil, porque o Real Madrid certamente não vai jogar com linhas baixas para defender, porque não é o seu perfil, não é o seu ADN, mas vai querer assumir o jogo. Há uma percentagem muito alta para o Real Madrid e uma muito pequena para o Benfica”, concluiu o treinador, reconhecendo a dificuldade da tarefa que o Benfica tem pela frente no Santiago Bernabéu, após a derrota por 1-0 na primeira mão em Lisboa, e prevendo que o Real Madrid apresente Courtois; Alexander-Arnold, Rudiger, Asencio e Álvaro Carreras; Valverde. Tchouaméni, Guler e Camavinga; Gonzalo García e Vinícius Júnior. Já o Benfica deverá alinhar com Trubin; Dedic, Tomás Araújo, Otamendi e Dahl; Leandro Barreiro e Aursnes; Sidny Cabral, Rafa e Schjelderup; Pavlidis.