Gianluca Prestianni, jogador do Benfica, está no centro de uma polémica que envolve acusações de racismo e homofobia. De acordo com o jornal britânico The Times, o internacional argentino pretende defender-se junto da UEFA das acusações de Vinícius Júnior, que alega ter sido chamado de mono
(macaco, em português) no jogo da primeira mão do playoff da Liga dos Campeões entre Benfica e Real Madrid.
A defesa de Prestianni irá contra-atacar
, alegando que o brasileiro o insultou, chamando-lhe anão ou pigmeu
, em referência à sua altura de 1,66 metros. A mesma publicação acrescenta que o jogador de 20 anos vai sublinhar que não dirigiu qualquer tipo de insulto racista ao adversário, mas sim um de índole homofóbica. Prestianni garante que disse maricón
, que significa maricas e se insere num insulto de cariz homofóbico, contrariando a versão de Vinícius Júnior e Kylian Mbappé, que garantem ter ouvido a palavra mono
.
No entanto, a informação sobre a estratégia de defesa de Prestianni foi desmentida pelo seu empresário, Gastón Fernández, em declarações prestadas ao portal saudita WinWin: “Tudo aquilo que foi publicado sobre aquilo que disse Gianluca Prestianni, no âmbito da investigação da UEFA, é falso. Ninguém falou connosco, oficialmente, sobre as sanções previstas, tendo em conta este incidente”
. Gastón Fernández acrescentou ainda: “Depois do comunicado difundido pelo Benfica, não pretendemos alongar-nos sobre este tema. Já deixámos claro que aquilo que aconteceu não foi aquilo que eles tentaram apresentar ou retratar, relativamente ao Gianluca. Daqui em diante, a única coisa que nos interessa é dar paz e garantias ao jogador”
. Questionado sobre a possibilidade de Gianluca Prestianni vir a exigir um pedido público de desculpas e uma onerosa compensação financeira a Vinícius Júnior, caso o organismo que rege o futebol europeu lhe venha a dar razão, Gastón Fernández atirou: “Quando tudo estiver encerrado, vamos pensar cuidadosamente para tomar a melhor decisão”
.
Este desenvolvimento surge 24 horas depois de a UEFA ter tornado pública a decisão de avançar para a suspensão preventiva de Gianluca Prestianni, ainda que a investigação em torno do sucedido no duelo ibérico não esteja concluída e se preveja que possa demorar até três semanas. “Na sequência da nomeação de um Inspetor de Ética e Disciplinar da UEFA (EDI), para investigar alegações de comportamento discriminatório, durante o jogo do playoff da temporada de 2025/26 da Liga dos Campeões, entre Benfica e Real Madrid, a 17 de fevereiro de 2026, e na sequência de um pedido do EDI, com um relatório provisório, o Comité de Controlo, Ética e Disciplina e o Comité de Recursos (CEDB) da UEFA decidiu, hoje, suspender preventivamente o Sr. Gianluca Prestianni para o próximo (1) jogo de competições de clubes da UEFA pelo qual estaria, caso contrário, elegível, devido a violação 'prima facie' do Artigo 14 do Regulamento Disciplinar da UEFA (DR), relacionado com comportamento discriminatório”
, pode ler-se na nota, que acrescenta: “Isto surge sem prejuízo de qualquer decisão que os organismos disciplinares da UEFA possam, subsequentemente, tomar, na sequência da conclusão da investigação decorrente e da sua respetiva submissão aos organismos disciplinares da UEFA. Posteriores informações sobre este tema vão ser tornadas disponíveis no devido tempo”
. O Benfica já recorreu desta decisão, e o internacional argentino seguiu viagem com a restante comitiva rumo a Espanha, na esperança de ser despenalizado a tempo de ajudar os companheiros de equipa no Santiago Bernabéu.