UEFA suspende Prestianni por alegado racismo contra Vinícius Júnior antes de reencontro na Champions

  1. UEFA suspende Prestianni por um jogo
  2. Benfica lamenta a decisão da UEFA
  3. Vinícius Júnior: "Racistas são cobardes"
  4. Suspensão mínima de 10 jogos se culpado

A UEFA tomou uma decisão provisória no caso de alegado racismo envolvendo Gianluca Prestianni, jogador do Benfica, e Vinícius Júnior, do Real Madrid, suspendendo o argentino por um jogo antes do reencontro das equipas na Liga dos Campeões. Esta medida, anunciada esta segunda-feira, gerou um debate intenso e diversas reações no mundo do futebol, especialmente porque a investigação ainda não foi concluída. A suspensão preventiva visa evitar a presença de Prestianni no Santiago Bernabéu, em Madrid, palco da segunda mão do play-off da Champions.

O Benfica, por sua vez, reagiu rapidamente à decisão, emitindo um comunicado oficial a expressar o seu descontentamento. “O Sport Lisboa e Benfica tomou conhecimento da decisão da UEFA de aplicar uma suspensão provisória de um jogo ao seu jogador Gianluca Prestianni, no âmbito da averiguação em curso relativamente ao incidente ocorrido no jogo frente ao Real Madrid”, pode ler-se na reação da direção liderada por Rui Costa. O clube lamentou a impossibilidade de contar com o jogador, questionando o timing da suspensão. “O Clube lamenta ficar privado do jogador enquanto o processo está ainda em investigação e irá apelar desta decisão da UEFA, mesmo se dificilmente os prazos em causa terão qualquer efeito prático para o jogo da segunda mão do play-off da Liga dos Campeões”, continua o comunicado, que reforça o compromisso do Benfica na luta contra a discriminação. “O Sport Lisboa e Benfica reafirma igualmente o seu compromisso inabalável no combate a qualquer forma de racismo ou discriminação, valores que fazem parte da sua identidade histórica e que se refletem na sua ação quotidiana, na sua comunidade global, no trabalho da Fundação Benfica e em figuras maiores da história do Clube, como Eusébio”, completa.

A suspensão de Prestianni não é a única preocupação para o Benfica, que também não contará com José Mourinho no banco de suplentes. “Não há nada para explicar. É tudo muito óbvio. Eu tenho 1.400 jogos de futebol e para aí 200 e tal de Europa. Ele tinha um papelinho que dizia assim 'Huijsen, Carreras e Tchouámeni, se tiverem cartão amarelo, não podem jogar'”, explicou o próprio treinador, após a sua expulsão na partida anterior. A UEFA justificou a suspensão de Prestianni com base no princípio de “prima facie”, indicando que, “à primeira vista”, o jogador terá cometido uma “violação” do Artigo 14 do Regulamento Disciplinar da UEFA. Esta decisão, sem prejuízo da conclusão da investigação, gerou manchetes em todo o mundo, refletindo a gravidade e o impacto do incidente no futebol europeu. A partida no Santiago Bernabéu será arbitrada pelo esloveno Slavko Vincic, com início agendado para as 20h00 de quarta-feira. O caso sublinha a crescente preocupação com o racismo no desporto e a necessidade de medidas eficazes para o combater.

A controvérsia em torno do incidente no jogo entre Benfica e Real Madrid continua a gerar discussão, com várias figuras do futebol a expressarem as suas opiniões. Vinícius Júnior, alvo dos alegados insultos, manifestou a sua frustração nas redes sociais, afirmando que “nada do que aconteceu” é “novidade” na sua carreira. Ele escreveu: “Racistas são, acima de tudo, cobardes”. Esta declaração ressoa com o histórico do jogador, que já foi alvo de 26 casos de racismo em Espanha desde outubro de 2021. Kylian Mbappé, colega de equipa de Vinícius, corroborou a versão dos factos, afirmando que o argentino “pôs a sua camisola por cima da cara para dizer cinco vezes ao Vini que era ‘um macaco’”.

No entanto, há uma outra perspetiva para o caso, como apontado por Aurélien Tchouméni, que deu conta de outra possível versão dos acontecimentos: “Disseram-nos que Prestianni chamou macaco ao Vini, mas ele diz que lhe chamou maricas.” Esta divergência de testemunhos complica a investigação da UEFA. As autoridades portuguesas também estão a intervir, com a Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto a instaurar “um processo de contraordenação” para “apuramento dos factos”. Se Prestianni for considerado culpado, os regulamentos da UEFA ditam uma suspensão mínima de 10 jogos. O caso, à semelhança de incidentes anteriores envolvendo Luis Suárez e John Terry com insultos racistas, mostra a seriedade com que estas situações são tratadas no futebol. A decisão da UEFA de suspender preventivamente Prestianni, mesmo sem o desfecho da investigação, sublinha a urgência em lidar com o racismo no desporto e enviar uma mensagem clara contra tais comportamentos.

O impacto do incidente na Liga dos Campeões é notável, com o Benfica a enfrentar o Real Madrid sem Gianluca Prestianni. A partida da segunda mão do play-off de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões será um teste à capacidade do Benfica em superar a desvantagem de 0-1, sofrida na primeira mão. A ausência de Prestianni, combinada com a de Mourinho no banco, adiciona desafios significativos à equipa encarnada. A controvérsia em torno do alegado racismo continuará a ser um tópico de discussão, independentemente do resultado do jogo. A UEFA, ao tomar a decisão de suspender o jogador, demonstra um compromisso em investigar e punir o comportamento discriminatório, mesmo que a investigação ainda esteja em curso. Este episódio serve como um lembrete da importância de promover valores de respeito e inclusão no futebol e na sociedade em geral. A comunidade futebolística aguarda agora as conclusões da investigação da UEFA e as ações subsequentes que serão tomadas.

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