Fernando Tavares, antigo vice-presidente do Benfica, criticou publicamente a gestão da comunicação do clube em relação ao polémico caso envolvendo o jogador Prestianni. Numa publicação na rede social LinkedIn, Tavares salientou o vazio informativo
deixado pelo “silêncio institucional, absoluto e prolongado”
do Benfica, argumentando que esta estratégia permitiu que a especulação preenchesse o espaço mediático, instalando uma “presunção pública de culpa”
.
Tavares traçou um paralelismo com a sua experiência na indústria petrolífera, onde também se enfrentaram acusações de cartelização e margens elevadas. Ele explicou que, naquele setor, a resposta ao escrutínio não foi o silêncio, mas sim uma pedagogia estruturada
. Através de explicações periódicas a jornalistas especializados, abordou-se a complexidade da formação de preços, o impacto das flutuações do mercado, a carga fiscal e a dinâmica concorrencial. Esta abordagem, embora com aconselhamento jurídico, foi liderada pela administração e não subordinada aos advogados, com o objetivo de gerir estrategicamente a reputação e a confiança da marca.
O antigo dirigente das águias enfatizou a distinção entre a gestão jurídica do risco e a gestão estratégica da reputação. Enquanto os advogados visam proteger a organização de riscos legais, a administração tem a responsabilidade de liderar a reputação, a confiança e o valor da marca. Tavares alertou que, quando a ordem se inverte e o “medo jurídico se sobrepõe à liderança estratégica”
, a comunicação torna-se minimalista
, a narrativa é dominada por terceiros e a marca perde a capacidade de enquadrar os factos. Numa organização madura, a comunicação deve ser um instrumento estratégico para a criação de confiança, e não um mero apêndice jurídico, sendo que “quem paga é a marca”
quando estes princípios são violados.