A Seleção Nacional feminina de futebol prepara-se para iniciar a qualificação para o Campeonato do Mundo de 2027 e o selecionador Francisco Neto anunciou novidades na lista de 25 convocadas. Entre elas, destaca-se a recém-naturalizada Pauleta, cuja inclusão é vista com grande entusiasmo. “Já seguimos a Pauleta há algum tempo. O processo de naturalização já terminou há algum tempo. Infelizmente, fruto das lesões, não pôde dar o contributo antes. Tem características diferentes para a posição dela e sentimos que poderá aportar coisas diferentes ao nosso jogo”, realçou o selecionador nacional.
A própria Pauleta expressou a sua “felicidade” por esta oportunidade, refletindo sobre o seu percurso em Portugal. “É algo que queria há muito tempo. Conto sempre a minha história — cheguei a Portugal há dez anos, era apenas uma miúda de 18, sem saber muito bem o que era a vida. Cresci aqui, tornei-me mulher aqui, até tirei a carta de condução aqui e fiz o meu curso numa universidade portuguesa. Fiz-me e tornei-me mulher em Portugal. Por isso, queria muito agradecer em campo a Portugal, também a toda a estrutura do futebol feminino português”, partilhou a jogadora do Benfica em declarações à BTV. Ela recordou ainda as dificuldades superadas: “Passei por duas lesões graves nos últimos anos, houve alturas em que tive muitas dúvidas sobre o futebol, a carreira, a vida desportiva, mas nunca desisti. Quis sempre lutar para continuar em campo a fazer o que mais gosto, que é jogar futebol.” Pauleta reconheceu estar a viver um “misto de emoções” desses “momentos tão maus”, mas também dos sonhos de “continuar a jogar pelo Benfica e ter a oportunidade de representar Portugal”. Ela concluiu: “Foi isso que me fez trabalhar ainda mais nos momentos mais difíceis e é isso que torna este momento ainda mais especial.”
Além de Pauleta, Francisco Neto também enalteceu as jovens promessas Daniela Areia Santos e Nádia Bravo. “A Nádia tem feito a sua afirmação no Sporting de Braga e tem-nos encantado pela sua irreverência com bola. Este atrevimento cria-nos muita satisfação. Gostamos deste tipo de jogadoras com vontade, querer e capacidade para assumir um jogo. Joga muito bem com os dois pés e poderá aportar essa variabilidade. Já a Daniela, tem feito uma época muito positiva e joga numa linha de três ou quatro defesas. Tem feito bem o seu percurso e tem agora a oportunidade de vir ajudar”, explicou. Relativamente aos próximos desafios na qualificação, o selecionador antecipa jogos difíceis. “A Finlândia está logo atrás de nós no ranking e tem um percurso semelhante ao nosso. Participou na fase final do Europeu, tem nove jogadoras na Liga inglesa e a maioria fora do seu país. A Eslováquia também tem jogadoras em clubes a jogar as competições europeias. Serão dois jogos muito difíceis, com equipas muito bem organizadas e ideia de jogo muito bem definida. Temos de voltar a ser uma equipa dominadora, a assumir o jogo e sem dar o protagonismo às adversárias”, afirmou Francisco Neto. O objetivo é claro: “Temos a ambição de competir em todos os jogos para os três pontos. Dentro do grupo, somos a equipa mais cotada no ranking. Queremos voltar à Liga A e ir ao Campeonato do Mundo repetir as sensações que tivemos na primeira participação. É importante iniciar bem em casa. Não é decisivo, mas muito importante”, vincou o selecionador, que na próxima semana completa 12 anos ao serviço da seleção portuguesa feminina.