Prestianni vs. Vinícius Júnior: o incidente e as suas repercussões

  1. Prestianni acusado de racismo
  2. Benfica confia no jogador
  3. UEFA ativou protocolo antirracismo
  4. APCVD abriu processo

O incidente recente envolvendo o extremo do Benfica, Gianluca Prestianni, e o avançado Vinícius Júnior, do Real Madrid, durante a primeira mão do play-off da Liga dos Campeões na Luz, continua a gerar controvérsia. Acusado de proferir insultos racistas, Prestianni negou as alegações, e o Benfica expressou total confiança na versão do seu jogador. Fernando Tavares, antigo vice-presidente do Benfica, defendeu que o clube age “com princípios” e que “o racismo não tem lugar no futebol nem na sociedade. Qualquer insulto de natureza racial é inaceitável e deve ser condenado de forma clara.”

A UEFA ativou o protocolo antirracismo durante o jogo, que esteve interrompido por quase 10 minutos. Vinicius Júnior e outros jogadores do Real Madrid confirmaram a ofensa, enquanto Prestianni negou os insultos. A Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD) já abriu um processo de contraordenação para averiguar os factos. Tavares sublinha que “o Benfica e a sua Fundação têm desenvolvido, ao longo dos anos, iniciativas e posicionamentos institucionais claros contra o racismo e todas as formas de discriminação. Essa linha deve manter-se firme e inequívoca.” O antigo dirigente realça a identidade plural do clube, construída com jogadores de diversas origens, e frisa que “todos sabem que neste clube são avaliados pelo talento, pelo carácter e pelo compromisso, nunca pela cor da pele. Defender o Benfica é proteger essa herança.”

A relação entre os clubes é também um ponto de destaque na análise. Fernando Tavares, que viveu 10 anos em Madrid, enfatiza que “o Real Madrid é uma das maiores instituições do futebol mundial, com quem o Benfica partilha história europeia, reconhecimento internacional e institucional. Situações sensíveis devem ser tratadas com diálogo direto, serenidade e elevação. É necessário que se resolva com urgência ou, no limite, em Madrid, com frontalidade e respeito mútuo. Um episódio não pode comprometer essa relação.” O caso levanta questões sobre a aplicação dos protocolos antirracismo e a forma como os clubes devem lidar com estas situações, especialmente em jogos de alta visibilidade internacional.