A UEFA anunciou a abertura de uma investigação e a nomeação de um Inspetor de Ética e Disciplina para averiguar alegados comportamentos discriminatórios durante o jogo do play-off da Liga dos Campeões entre o Benfica e o Real Madrid, realizado a 17 de fevereiro.
A controvérsia surgiu após o avançado brasileiro Vinícius Júnior, do Real Madrid, ter alegado ter sido alvo de insultos racistas por parte de Gianluca Prestianni, extremo do Benfica, depois de ter marcado o único golo da partida. O árbitro francês François Letexier chegou a interromper o encontro e acionar o protocolo antirracismo.
O Benfica emitiu um comunicado oficial lamentando a campanha de difamação
de que o seu jogador tem sido alvo e reiterando o seu apoio a Prestianni. O Sport Lisboa e Benfica encara com “total espírito de colaboração, transparência, abertura e sentido de esclarecimento as diligências hoje anunciadas pela UEFA, na sequência do alegado caso de racismo ocorrido no jogo frente ao Real Madrid”
, pode ler-se no comunicado. O clube reafirma ainda, “de forma clara e inequívoca, o seu compromisso histórico e intransigente com a defesa dos valores da igualdade, do respeito e da inclusão, que vão ao encontro dos valores matriciais da sua fundação e que têm em Eusébio o seu símbolo maior”
. O comunicado acrescenta: “O Sport Lisboa e Benfica reitera que apoia e acredita plenamente na versão apresentada pelo jogador Gianluca Prestianni, cuja conduta ao serviço do clube sempre foi pautada pelo respeito pelos adversários, pelas instituições e pelos princípios que definem a identidade benfiquista. O clube lamenta a campanha de difamação de que o jogador tem sido vítima.”
No entanto, a posição do Benfica contrasta com a opinião de uma antiga figura do clube. Luisão, ex-jogador com mais jogos pelo Benfica, pronunciou-se sobre o incidente: “Esta camisola é muito grande. Amo o Benfica, é a minha segunda pele, mas tem de se ser digno para vestir o manto sagrado. Este texto piora porque é mentira. O futebol ganha-se na raça, na luta. Foi um ato racista, SIM e estou envergonhado com isso.”
Luisão criticou ainda a dependência excessiva de protocolos: “Eu sou meio contra essas questões de protocolo. Acho que não tem a ver com protocolo, tem a ver com princípios e com ser claro naquilo que tem de ser feito. Não estou a julgar o Prestianni, que foi meu jogador enquanto diretor, não estou a julgar o Vinícius Júnior, mas na minha opinião, todas as vezes em que há um protocolo, se a vida ficar dependente de um protocolo, nunca nada vai ser resolvido, seja racismo ou outra coisa no mundo.”
Concluiu o seu desabafo afirmando: “A partir do momento em que existem protocolos, as pessoas escondem-se atrás deles. ... Eu acho que todas as coisas têm de ser claras. É lógico que o protocolo é algo que todos podemos usar, mas não podemos esconder-nos atrás dele. ... As coisas estão tão óbvias que vamos seguir o protocolo para quê? Isto é apenas um desabafo e a forma de mostrar a minha indignação sobre isto.”
Por outro lado, o médio do Benfica, Fredrik Aursnes, deu o seu testemunho à CBS: “Falámos, claro. Não ouvi o que foi dito durante o momento. Perguntei ao jogador o que ele disse e não me lembro da palavra, mas disse-me que não disse nada racista e eu acredito nele. Esperemos que seja a verdade. Foi o que aconteceu e claro que há muitas emoções, o jogo...”
A UEFA, por sua vez, afirma que “Mais informações sobre este assunto serão divulgadas brevemente”
e que “Sempre que há ocorrências reportadas, são instaurados processos e, caso resultem na aplicação de sanções disciplinares, estas serão anunciadas no site da UEFA.”