A derrota do Benfica por 1-0 frente ao Real Madrid, na primeira mão do play-off de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões, foi marcada por incidentes e declarações fortes no final do jogo da Luz. Samuel Dahl, lateral-esquerdo do Benfica, abordou a confiança na vitória em Madrid e o duelo com os avançados do Real: “Jogámos contra uma grande equipa, não foi diferente do outro jogo [da fase de grupos]. Talvez tivéssemos forçado um pouco mais no último jogo. Agora sabemos que são dois jogos. Queríamos um resultado melhor do que este, mas está tudo em aberto. Vamos lutar pela qualificação no próximo jogo. Acredito na passagem. Está 1-0. São 90 minutos. Vimos isso no último jogo em que marcámos quatro golos.”
O jogador comentou ainda o confronto direto: “Eles estavam em todos os lugares. São dos melhores jogadores do mundo. É muito difícil. Temos de estar sempre atentos e eu gosto de competir contra os melhores.”
Sobre a polémica entre Prestianni e Vinicius, Dahl preferiu não comentar: “Não posso responder sobre isso. Eu não estava lá, não ouvi nada. Ele marcou um bom golo, mas tem de haver respeito por todos os benfiquistas e contra nós.”
Leandro Barreiro, médio do Benfica, também partilhou a sua perspetiva, referindo que o Real Madrid obrigou a equipa a correr muito: “Senti que, desta vez, estávamos a correr muito mais. Já na primeira parte eles ocuparam bem os espaços e foram caminhos muito longos para nós corrermos como equipa.”
Lamentou também as oportunidades desperdiçadas: “Tivemos as nossas ocasiões para marcar golos, mas não finalizámos. A partir do minuto 20, começámos a perder várias bolas e ficou muito difícil. Tivemos de correr ainda mais para recuperar a bola. Falta-nos também a força para criar coisas. Mesmo assim, tivemos as nossas oportunidades, mas os contra-ataques deles também eram muito fortes e, mais uma vez, tínhamos de correr muito atrás da bola.”
Contudo, o médio mantém a esperança na eliminatória: “Está 1-0, estamos no intervalo da eliminatória. Temos que ir para Madrid ganhar o jogo e fica tudo em aberto.”
José Mourinho, técnico do Benfica, não se esquivou à polémica no final da partida. “Uma coisa é o que o Vinícius diz e outra é a que o Prestianni diz. São coisas completamente diferentes. O que disse ao Vinícius, de um modo independente e não a estar a defender a minha dama, é que quando se faz um golo daqueles sais em ombros e não vais mexer com o estádio, não se vai mexer com o coração de um estádio adversário.”
Mourinho acrescentou: “Como dizem em Espanha, quem marca um golo daqueles corta o rabo, corta a orelha e sai em ombros. Não acaba com o jogo e ele acabou com o jogo.”
Mourinho também criticou a arbitragem que levou à sua expulsão: “Não há nada para explicar porque é tudo muito óbvio. Eu tenho 1.400 jogos de futebol e 200 e tal na Europa. A coisa é muito simples. Ele tinha um papelinho que diziam. Huijsen, Carreras e Tchouameni se tivessem cartão amarelo não poderiam jogar e alguém lhe disse que estes não podiam levar amarelo. O Carreras com uma simulação grotesca não leva amarelo, o Tchouameni com dez faltas não leva amarelo. Foi a única coisa que lhe disse. Constatei um facto. Depois, com a sua arrogância, expulsou-me. Mas está tudo bem, não há crise.”
Relativamente aos ajustes para o jogo da segunda mão, Mourinho afirmou: “Agora é descansar e pensar no jogo do Aves. Depois logo pensaremos no jogo de Madrid. Aquilo que disse aos jogadores é uma coisa muito simples. Da mesma maneira que, na fase de grupos, enquanto há vida, há esperança, enquanto há pontos para jogar, vamos por eles. Agora não se trata de pontos, trata-se de um jogo em que estamos a perder por 1-0 ao intervalo. Vamos jogar contra uma equipa fantástica e num estádio que puxa e empurra muito. Vamos lá ver se não vem é o Anthony Taylor.”
Sobre a sua ausência no banco em Madrid, o técnico minimizou o impacto: “O facto de eu não estar no banco acho que não tem grande impacto porque o treinador no banco não joga muito, joga mais na preparação do jogo. O facto de não poder comunicar com a equipa, de não poder comunicar com os assistentes e de não poder ir ao balneário… Tenho de confiar nos jogadores, nos assistentes. Obviamente que é limitativo. Estamos a jogar contra uma equipa fantástica, estamos em desvantagem. Mas é o que é.”
Mourinho voltou a comentar o incidente com Vinícius: “Falei com o Vini e ele disse-me uma coisa, falei com o Prestianni e ele disse outra coisa. Podia ser ‘vermelho’ e dizer que só acredito no que o Prestianni me disse e podia ser equilibrado e dizer que no mundo do futebol tento ser sempre mais equilibrado. Não quero dizer que o Vinícius é um mentiroso e que o Prestianni é um miúdo maravilhoso. Não quero dizer isso. O Álvaro [Arbeloa] optou por um comportamento diferente e eu não quero fazer isso. Eu disse ao Vinícius: ‘Marcas um golo do outro mundo e por que celebras assim? Por que não celebras como celebrava Eusébio, Di Stéfano, Pelé, celebrar com a alegria de ter marcado um golo?”