Anatoliy Trubin, guarda-redes do Benfica, recordou o momento em que marcou um golo decisivo frente ao Real Madrid, que garantiu a presença dos encarnados no play-off da Liga dos Campeões. O impacto deste feito ainda ressoa no guardião ucraniano, que confessou à The Athletic: “Desde que comecei a jogar futebol, aos seis anos, trabalhei duro e fiz de tudo para impedir golos. Agora, depois deste momento, muita gente me conhece porque marquei um golo. Ainda é uma loucura para mim. Às vezes, não acredito que aconteceu”.
Trubin revelou que a decisão de subir à área contrária e o subsequente golo foram tomados num ápice, sem plena consciência da importância do lance para a qualificação: “Estávamos a ganhar, por isso não precisei de me apressar. Eu não entendia nem um pouco porque é que os adeptos começaram a gritar, porque é que alguns dos meus companheiros apontavam para mim e diziam “um, um, um”. Não entendia. Mas quando conquistámos a falta, o mister disse-me para subir e eu perguntei a alguém: “Precisamos de mais um golo?”. E acrescentou sobre a jogada: “Quando jogas, não pensas. Simplesmente fazes. Esse momento aconteceu tão rápido. Talvez porque o cruzamento foi tão perfeito, talvez porque era um golo que precisava de acontecer, para mim foi natural, algo que veio facilmente. Naquele momento, é preciso arriscar. É preciso apostar tudo. Se preciso de marcar, tenho de ir lá para dentro, para fazer os nossos adeptos felizes, para tornar o Benfica melhor. Apenas corri, e depois o movimento da minha cabeça, foi como se fosse um avançado. Foi uma loucura.”
A celebração efusiva da equipa deixou marcas físicas em Trubin, que ainda sente as consequências do golo histórico: “Ainda tenho algumas feridas no joelho. Todos os meus companheiros de equipa me saltaram para cima. (…) Normalmente eu não sou uma pessoa emocional, mas, nesse momento, libertei todas as minhas emoções.” O guarda-redes ucraniano também destacou o gesto de fair play do seu colega de posição do Real Madrid, Thibaut Courtois: “Eu respeito muito todos os guarda-redes, especialmente o Courtois, mas, depois desse momento, para mim ele é ainda mais especial. Após uma derrota difícil, ele veio ter comigo com um sorriso para me dar os parabéns. Isso mostrou-me que ele não é apenas um dos melhores dentro do campo, mas também fora dele. É um bom exemplo para a geração mais jovem. Depois de uma derrota difícil, podes mostrar respeito.” Quanto ao próximo confronto no play-off, novamente contra o Real Madrid, Trubin antecipa um duelo emocionante: “Ou era Inter ou Real. Não me importa com quem jogamos, mas, como é o Real, será mais emocionante por causa daquele último jogo. Mais tenso, mais interessante para todos. Precisamos de acreditar em nós mesmos. Sem crença, podes ficar em casa e não fazer nada.” Por fim, elogiou José Mourinho, treinador que admira: “Nada mudou com a idade. Ele acabou de ganhar mais experiência. É único trabalhar com um treinador tão incrível. O que aprendi é sobre os seus pensamentos positivos: se tivermos uma chance, não acabou. Se é possível, é possível.”