José Mourinho, técnico do Benfica, e Anatoliy Trubin, guarda-redes ucraniano, revisitaram recentemente os momentos que antecederam e se seguiram ao dramático golo de Trubin contra o Real Madrid na fase de grupos da Liga dos Campeões. Este golo, marcado nos descontos, assegurou a presença das águias no play-off de acesso aos oitavos
da competição e, segundo Mourinho, fez com que “toda a gente entrasse em campo”
. O golo teve um impacto tão grande no técnico do Benfica que, conforme partilhou com o Magazine UEFA, “no momento em que nós fazemos o golo e toda a gente entra em campo, a única coisa que me lembro é da minha família que raramente está porque vivem em Londres e estavam ali naquele dia. É uma situação única. Já tinha ganho de forma parecida ao PSG, numa eliminatória com o Chelsea, só que tinha sido um avançado a marcar, não um guarda-redes. É efetivamente de perder a cabeça. Tive aqueles três ou quatro segundos de perder a cabeça, mas depois o Arbeloa trouxe-me à terra porque me apareceu à frente, abraçou-me e fez-me aquela coisa de “uau, não posso celebrar assim à frente dos meus amigos“. Fui para dentro e não participei na festa que os jogadores fizeram em campo”
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Trubin, por sua vez, descreve o lance do ponto de vista do protagonista. A poucos dias do reencontro com o Real Madrid, o guarda-redes do Benfica recorda como tudo aconteceu: “Estamos a falar de uma fração de segundos em que não pensas em mais nada. Pouco antes do Aursnes bater a bola, posicionei-me um pouco mais à frente, mas não te consigo explicar bem. Foi o que me passou pela cabeça. Foi aquele pensamento, aquela ação para a frente, não sei. Aproximei-me um pouco e, quando a bola chegou, fiz tudo bem. Não sei o que tinha de fazer, apenas consegui marcar golo. Não sei descrever melhor, foi um momento inesquecível. Talvez se possa dizer que foi perfeito. Bem, na verdade, foi um momento único. Foi uma grande assistência e uma excelente finalização também”
, referiu à Champions League Magazine. Mourinho acrescenta que “aquela situação de arriscarmos tudo com o guarda-redes e ser ele a fazer o golo - e que golo! - é efetivamente de perder a cabeça”
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Além da emoção do golo, Mourinho abordou também os desafios de assumir o comando técnico a meio da época, confessando que foi a sua maior dificuldade
. O técnico revela ainda a sua expectativa para o regresso ao Santiago Bernabéu para a segunda mão do play-off da Liga dos Campeões. “Entrar a meio da época é algo que não tenho grande experiência e que me cria sempre muitas dificuldades. Penso sempre em chegar e impor-me, não no sentido de liderança, mas no sentido de jogar e tenho dificuldades em perceber até que ponto posso entrar e romper com o passado. Cria-me algum tipo de dificuldades, cria-me frustrações, é uma coisa que a minha experiência ainda não me ensinou muito, agarrar numa equipa a meio da época. Essa foi a dificuldade maior no Benfica”
, afirmou Mourinho no Magazine UEFA. Quanto ao regresso ao Bernabéu, Mourinho é claro: “Não quero sentir nada, não sei se vou conseguir, mas vou tentar não conseguir nada. Cada vez que regresso a sítios onde fui feliz, tento sempre não sentir nada. A realidade é que antes do jogo sinto muito, não é nunca uma situação normal, voltar a casa e a um sítio onde fui feliz, mas durante o jogo abstraio-me completamente e é isso que espero fazer no jogo em Madrid”
. Por fim, questionado pela UEFA sobre uma palavra para resumir a sua passagem pelo Real Madrid, Mourinho respondeu: Incrível
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