Anísio Cabral, o jovem avançado do Benfica, voltou a ser a figura central na vitória suada dos encarnados frente ao Alverca (2-1). O jogador, que já tinha sido campeão do mundo de sub-17, saltou do banco e, mais uma vez, marcou o golo decisivo, mantendo viva a esperança do Benfica na luta pelo título. A sua atuação não passou despercebida a José Mourinho, que não poupou nos elogios, comparando-o a uma lenda do futebol mundial.
Mourinho, conhecido pelas suas análises perspicazes, traçou um paralelo inesperado, apesar das ressalvas. “Quem? Drogba, de costas para a baliza. Só que depois Drogba, cinco cruzamentos, cinco golos de cabeça. E ele fez dois em dois cruzamentos, mas achei que foi um milagre porque de cabeça ele não é bom. Tem muito que melhorar de cabeça”, afirmou o técnico, referindo-se à capacidade de Anísio em segurar a bola e jogar de costas para a baliza. As declarações foram proferidas no rescaldo do jogo e já correm, esta segunda-feira, na imprensa desportiva, destacando que “O salto de Anísio. 'É incrível, dá-me vontade de continuar a trabalhar'. Campeão do mundo de sub-17 entra para dar a vitória com fantástico cabeceamento”. Aursnes, no jogo, fez dez recuperações de posse, máximo do jogo, e ainda criou uma ocasião flagrante em quatro passes para finalização. Por sua vez, Matheus Mendes, o guarda-redes do Alverca, esteve perto de segurar o empate exibindo-se em bom plano e defendendo um remate de Schjelderup.
Apesar de Anísio Cabral ter salvado a equipa, Mourinho realçou um ponto a desenvolver pelo jovem, que, para já, tem demonstrado um faro de golo impressionante: “o jogo de cabeça dele não é bom”. O técnico das águias, porém, não se ficou pelos elogios ao seu pupilo. Aproveitou para pedir desculpa a um elemento do banco do Alverca, de nome Custódio, reconhecendo a postura educada do adversário. “Aproveito para pedir desculpa a um elemento ali do banco do Alverca. Eu penso que era o delegado. Um senhor brasileiro super educado. Quando ele me disse que estou a fazer o meu [trabalho] e o míster está a fazer o seu, desarmou-me. Ele estava mesmo a fazer o seu e de uma maneira muito educada. Peço desculpa”, revelou Mourinho. O técnico elogiou ainda o trabalho da equipa adversária. “E o Alverca, bem trabalhado. Bom trabalho ali do Custódio. Gostei de ver o Paulo Jorge e o Ricardo também junto do Custódio, pessoal que eu conheço do meu início de treinador e eles como jogadores. E que corra tudo bem. Boa equipa, jogam bem.” Por sua vez, Custódio Castro, técnico do Alverca, notou que “Nada a apontar ao plano de jogo que o Alverca trouxe para esta partida. A lição estava bem estudada e os ribatejanos tiveram ideias articuladas para intentar estragos. Depois de 45 minutos bem disputados, e uma boa resposta ao golo do Benfica, a equipa recuou um pouco e acabou por ficar afetada com a saída de Chiquinho ao intervalo. Pode ter estado aqui o erro para que o Alverca não saísse com pontos da Luz”.
O foco passa, agora, para o Clássico entre FC Porto e Sporting, com o Benfica a aguardar o resultado para perceber o impacto na corrida pelo título. Mourinho manteve o Benfica na corrida pelo título de campeão nacional. O FC Porto está a seis pontos e o Sporting a dois. Resta agora saber o que sairá mais logo do Estádio do Dragão. A imprensa desportiva desta segunda-feira espelha a apreensão, com títulos como “FC Porto-Sporting. No limbo. Fuga na frente, tudo na mesma ou liderança por um fio? Três cenários para um clássico que promete”, e “FC Porto-Sporting. Quanto se decide hoje?”. A partida entre o Benfica e o Alverca foi a que registou o máximo de remates bloqueados de 10 ao longo do campeonato. Ademais, a equipa de José Mourinho foi muito proativa na recuperação da bola. O Benfica permitiu apenas 4,5 passes do Alverca até realizar uma ação defensiva (PPDA), não deixando os visitantes construir. Independentemente do desfecho do Clássico, Anísio Cabral promete continuar a dar que falar, confirmando o seu potencial e a crença de Mourinho no seu talento, garantindo à imprensa que foi “Campeão Mundial Sub-17 garante vitória aos 86’. ‘É inesquecível’.”