Após a vitória do Benfica sobre o Alverca por 2-1, José Mourinho, treinador dos encarnados, abordou diversos tópicos em declarações aos jornalistas. O técnico português sublinhou a necessidade de os seus jogadores ofensivos serem mais eficazes na finalização, expressando o desejo de ver mais gulosos
na frente de ataque.
Mourinho foi direto ao analisar o que faltou à sua equipa para matar o jogo
mais cedo. (Fazer golos. Há jogadores que por natureza têm golo. O Anísio tem golo, por exemplo, é abençoado, mas há outros jogadores que não são de muito golo. É uma coisa que estou a tentar modificar nos nossos jogadores mais ofensivos. O golo que Schjelderup faz é daqueles que adoro, é um 'tap-in', de encostar, mas é pela ambição de ser guloso de fazer golo. Não temos muitos jogadores gulosos, temos muitos jogadores que não gostam de doces, está ali o doce e não o vão buscar. Eu gosto de jogadores que se esforcem para fazer golo e não temos muito com esse ADN. Vão ver estatisticamente o historial dos nossos jogadores de ataque: quantos golos marcou na carreira o Sudakov, Prestianni, Schjelderup? São muito bons jogadores que estão a melhorar, mas têm de melhorar os números. Jogadores de ataque têm de marcar mais de nove golos, menos de dois dígitos é para médios que vão lá de vez em quando, os jogadores de ataque têm de passar os dois dígitos) afirmou Mourinho. Sobre os pedidos de penalti, Mourinho disse: (quero ser sincero e ainda não vi na televisão e não quero falar para não fazer figura de urso. Tenho a sensação de que todos poderiam ser penálti, mas tenho dúvidas de que algum seja um penálti escandaloso. A arbitragem de hoje em dia dá espaço para que num dia seja [penálti] e noutro dia não seja. Neste campeonato, para não falar de outros, tenho a sensação de que estes penáltis, com outra equipa, seriam penáltis. E o que aconteceu desde que cheguei é que tenho a sensação de que tudo o que é duvidoso, para o nosso lado não toca muito ou não toca nada. É a sensação que tenho, mas se calhar os penáltis de hoje não são, e se não são, ok.) O treinador pediu desculpa a um elemento do banco do Alverca, (um senhor brasileiro supereducado, que me disse: 'Estou a fazer o meu e você o seu', aí desarmou-me. Estava mesmo a fazer o seu e peço-lhe desculpa. Bom trabalho Custódio, Paulo Jorge, pessoal que conheço do meu início de treinador com eles como jogadores, que corra tudo bem. Boa equipa, joga bem.)
Em relação a Anísio Cabral, o treinador detalhou a sua visão sobre o jovem avançado. (Calma, trabalho e vamos geri-lo bem, como estamos a fazer com os outros que já subiram à primeira equipa. Para continuar a trabalhar e a melhorar. Isto parece uma contradição e se calhar vão-se rir, mas o jogo de cabeça não é o seu forte de todo, é uma área em que tem muito a melhorar, mas faz dois golos lindíssimos de cabeça quando joga na primeira equipa do Benfica. Agora mesmo encontrei a sua mãe no corredor e olhando para a mãe e conversando meio minuto, dá para perceber que é tudo muito bem estruturado, calmo, tranquilo, muito pés no chão, e esperemos que entre família e Benfica consigamos protegê-lo um bocado do que é o mundo do futebol, mas é continuar. Tem idade para jogar na Youth League, o Benfica também tem história na Youth League e o mínimo que queremos é chegar à final outra vez, por isso, vai jogar na Youth League outra vez, mas temos de fazer a gestão dele como fizemos esta semana com o Banjaqui e José [Neto], em que analisámos ao detalhe cientificamente e achámos que eles precisavam de quatro dias de repouso total, mesmo em termos mentais, de não estarem envolvidos em qualquer competiçao. Estes são os três que estão mais perto, mas há outros rapazes na Benfica com muita qualidade. Este Kevin Pinto que esteve no banco, ao nível do futebol jovem, é o que está imediatamente atrás do Banjaqui. Tem um potencial incrível e vai ser jogador de I Liga, seguramente. Amanhã o Kevin vai jogar em Portimão e espero que o Nélson Veríssimo [treinador do Benfica B] não se chateie de estar a dar dicas ao Portimonense, mas no Benfica há muito jogador bom) disse José Mourinho. Custódio, treinador do Alverca, também deixou as suas impressões após o jogo. (Acho que foi um bom jogo. Sabemos que este tipo de jogos é muito difícil. Sabíamos que com o Clássico [n.d.r.: entre FC Porto e Sporting], o Benfica não podia perder pontos. Nós queríamos muito jogar também com essa parte mental e emocional do jogo. Acaba por ser uma primeira parte dividida, em que conseguimos ter bons momentos com bola, na nossa saída, bem organizados, e pareceu-me que estivemos, quase todo o jogo, bem defensivamente. Naturalmente, na segunda parte, um ascendente do Benfica dentro do normal, também pelo significado que este jogo tinha para eles. Agora, aquilo que era a imagem de sermos competitivos, de tentar lutar pelos pontos aqui, acho que poderíamos ter saído com um empate, é um facto) afirmou Custódio.