Anísio Cabral decide e Mourinho lamenta falta de eficácia do Benfica

  1. Benfica vence Alverca por 2-1
  2. Anísio Cabral marca golo decisivo
  3. José Mourinho critica falta de eficácia
  4. Mourinho compara Anísio a Drogba
  5. Custódio satisfeito com Alverca

Numa partida que exigiu esforço e resiliência, o Benfica garantiu uma vitória por 2-1 sobre o Alverca, em jogo da 21.ª jornada da Liga Portugal Betclic. O golo decisivo foi apontado pelo jovem Anísio Cabral, que, tal como na partida anterior, saiu do banco para ser decisivo. Este triunfo permite ao Benfica pressionar os seus rivais na luta pela liderança, embora o treinador José Mourinho tenha expressado algumas reservas quanto à concretização.

José Mourinho, em declarações à BTV, manifestou a frustração pela falta de eficácia da sua equipa: ““Para o miúdo, e para nós, é obviamente um momento fantástico porque nos dá a vitória. Mas eu penso outra vez, e vou repensar outra vez, e vou dormir mal outra vez... Como é que é possível criar tanto, tanto, tanto e ter tantas dificuldades em fazer golos? Não quero voltar a falar das estatísticas, dos remates, de quantas vezes pisámos a área adversária. Não quero ser monótono e ir na mesma direção. Mas a maneira como temos jogado é repetitiva. Jogamos bem, criamos muito e marcamos pouco. Mas fizemos o segundo golo pelo miúdo e três pontos super decisivos para a nossa esperança de chegar mais acima””. O técnico português também analisou as dificuldades na primeira parte e criticou a arbitragem: ““Na 1.ª parte utilizámos muito o passe longo contra uma equipa que defendia com uma linha de cinco, é muito difícil a bola entrar nas diagonais longas. Tínhamos jogado pouco por dentro. Depois, contra este tipo de equipas, tens de repetir vagas de ataque. Para isso tens de perder bola, ganhar bola. Atacas, perdes, atacas, perdes, atacas outra vez. Na 1.ª parte deixámos o Alverca sair com perigo algumas vezes, ter bola no meio-campo, e foram criando problemas. No banco ficou a sensação, apesar de não ter visto ainda nada, que o árbitro também nos criou problemas. Mas se calhar estou errado. Na 2.ª parte fomos muito fortes, não deixámos o Alverca sair. Mas quase saem com o ponto que queriam. Por tudo o que criámos, acho que a vitória assenta perfeitamente””. Sobre a corrida pelo título, Mourinho mostrou-se confiante na sua equipa: ““Se hoje tivéssemos empatado, acho que agora lhe estava a dizer que gostaria que o segundo classificado perdesse amanhã... Estamos nesta situação. Somos quem somos. Representamos um clube como o Benfica. Estamos em 3.º mas olhamos para o 1.º enquanto for possível matematicamente. Amanhã não jogamos. Claro que para nós era melhor que o 1.º classificado perdesse, mas agora eles é que têm de se desenrascar e lutar pelos pontos. Como ganhámos, vou estar tranquilamente a ver o jogo. Se não tivesse ganho, acho que nem era um jogo que iria ver””. O treinador reforçou a importância dos três pontos, mas reiterou as dificuldades em concretizar: ““Vamos até ser matematicamente possível e até haver algum segundo de jogo. Obviamente, mérito para os jogadores. O Alverca perdeu, mas eu não consigo não deixar de lhe dar os parabéns. Não fizeram antijogo: o guarda-redes levou amarelo, mas não fizeram antijogo. Surpreenderam-me um bocadinho porque conseguiram ser perigosos na primeira parte. Defenderam muito e bem. Na segunda parte levaram com uma avalanche de jogo ofensivo do Benfica, que foi de tal maneira que acaba por ser quase simbólico o guarda-redes levar uma bolada na cabeça, que é daquelas coisas que raramente acontece e que é representativo do nosso caudal de jogo na segunda parte. A vitória e os três pontos são o mais importante. Obviamente que é mágico, para ele e para nós porque dá-nos três pontos, e que é uma coisa fantástica o Anísio fazer golo outra vez na primeira vez em que toca na bola, mas eu tenho de olhar também para aquilo que se torna repetitivo, que é jogarmos bem, atacarmos muito, criarmos muito e marcarmos pouco.”” Por fim, Mourinho puxou a responsabilidade de Anísio Cabral: ““Calma! Calma! Trabalho. Vamos geri-lo bem, como estamos a fazer também com os outros que já subiram à primeira equipa e que são jogadores de primeira equipa. Continuar a trabalhar e a melhorar. Parece contraditório, e se calhar vocês vão-se rir, mas o jogo de cabeça não é o seu forte. De todo! É uma área em que ele tem muito a melhorar, mas faz dois golos lindíssimos de cabeça. Agora mesmo encontrei a mãe dele no corredor e, olhando para ela e conversando meio-minutinho, dá para perceber que aquilo é tudo muito bem estruturado, muito calmo, tranquilo e muito pés no chão. Esperemos que entre família e Benfica consigamos protegê-lo um bocadinho daquilo que é o mundo do futebol. Ele tem idade para continuar na Youth League e obviamente que o Benfica tem uma história na Youth League e gostaremos de, como mínimo, chegar à final e ele voltará a jogar na Youth League. Mas temos de fazer a gestão dele como fizemos a gestão do Banjaqui e do José [Neto]. Depois de analisarmos ao detalhe, mesmo cientificamente, achámos que esses dois precisavam de quatro dias de repouso total e até mental, não estando envolvidos em nenhum tipo de competição. O foco, agora, é obviamente no Anísio, Zé e Banjaqui, que são os que têm estado aqui e que estão mais perto, mas há outros rapazes no Benfica que têm muitíssima qualidade. Este Kevin Pinto, que esteve hoje no banco, é aquele que está imediatamente atrás do Banjaqui: acho que o Kevin tem um potencial incrível e vai ser, seguramente, jogador de primeira liga. E estamos a falar daquele que está por trás do Banjaqui. Amanhã o Kevin jogará em Portimão: espero que o Nélson Veríssimo não se chateie por estar a dar dicas ao Portimonense. Há muito jogador bom no Benfica””. O técnico comparou ainda Anísio a Drogba: ““Depende de muitas coisas. O potencial está lá. A fisicalidade, o jogo de costas para a baliza e os movimentos em profundidade. Tem coisas de costas para a baliza muito parecidas com um jogador que eu tive. E é muito expedito no remate. (...) Vão-me chamar idiota, mas o jogo de cabeça dele não é bom. E com a estrutura física que ele tem, o jogo de cabeça é uma coisa que ele tem de trabalhar. Que jogar me faz lembrar? Drogba de costas para a baliza. Mas o Drogba fazia cinco golos de cabeça em cinco cruzamentos. E ele fez dois em dois cruzamentos, mas acho que foi um milagre porque ele não é bom de cabeça. Tem muito que melhorar.””

Anísio Cabral, em declarações à BTV, descreveu o golo como um “sentimento inesquecível”: ““Como digo sempre, é um sentimento inesquecível. Temos de continuar na luta, manter os pés no chão e continuar a trabalhar. O que Mourinho me disse antes de entrar? Disse que era para eu fazer o básico, jogar simples e ajudar o Benfica a fazer o melhor. E que foi assim que fiz hoje. Temos de continuar””. O jovem avançado também agradeceu o apoio dos adeptos: ““Foi incrível. O apoio dos adeptos é incrível e tenho de agradecer-lhes pelo apoio.”” Por sua vez, Custódio, treinador do Alverca, apesar da derrota, mostrou-se satisfeito com a exibição da sua equipa: ““Acho que foi um bom jogo. Sabemos que este tipo de jogos é muito difícil. Sabíamos que com o Clássico [n.d.r.: entre FC Porto e Sporting], o Benfica não podia perder pontos. Nós queríamos muito jogar também com essa parte mental e emocional do jogo. Acaba por ser uma primeira parte dividida, em que conseguimos ter bons momentos com bola, na nossa saída, bem organizados, e pareceu-me que estivemos, quase todo o jogo, bem defensivamente. Naturalmente, na segunda parte, um ascendente do Benfica dentro do normal, também pelo significado que este jogo tinha para eles. Agora, aquilo que era a imagem de sermos competitivos, de tentar lutar pelos pontos aqui, acho que poderíamos ter saído com um empate, é um facto.”” O técnico justificou as substituições: ““Nós tínhamos uma estratégia, tínhamos ali uma dupla largura. Não sabíamos se o Prestianni nos ia baixar com o Chissumba ou pressionar o central pela esquerda. Acabou por sair. Depois, dada a velocidade deles, podíamos ter alguma vantagem, também com o Marezi a ajudar naquele tipo de movimentos de profundidade. O golo acaba por aparecer um bocadinho com esse desbloqueio. E sim, podíamos ter utilizado de forma diferente à esquerda e à direita, também pela forma como o Benfica defendia, como colocava os jogadores por dentro. O Chiquinho saiu porque teve ali algum desconforto. Nada que me pareça grave, mas algum desconforto, e por precaução acabámos por ter de o tirar. Mas, bem, estamos tristes por não termos conseguido aquilo que queríamos, que era a conquista de pontos, verdadeiramente tristes. E deixe-me deixar esta mensagem, porque isto é que é importante: tristes por aquilo que se passa em Portugal. Porque isto é só um jogo de futebol; nós lutamos, nós tentamos, mas acho que temos de estar de mãos dadas e solidários com esta questão das cheias, que afetam muitas famílias. E o nosso apoio, a nossa ajuda e o nosso pensamento estão sempre com eles. E, de forma solidária, acho que o futebol também deve ajudar.”” O treinador do Alverca afirmou que a sua equipa não esconde a sua identidade: ““Não podemos esconder aquilo que somos. A jogar no Benfica, a jogar em Braga, a jogar no Estoril, em Famalicão, nas Aves, nós não escondemos. Agora, nós sabemos que pode haver, dadas as circunstâncias da nossa época, o crescimento da equipa e a forma como construímos o clube e o plantel, alguma falta de consistência. Mas nós estamos a lutar por ela e isso sente-se, sente-se os jogadores a lutar por ela. Sente-se essa mentalidade e essa tentativa de agarrar uma cultura que se quer dar ao clube. Para isso, precisamos de toda a gente, inclusive dos nossos adeptos, é muito importante. E hoje, excecionalmente,””

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