O Benfica empatou a zero com o Tondela num jogo marcado pela excelente exibição do guarda-redes adversário, Bernardo Fontes. José Mourinho, treinador dos encarnados, apesar do resultado, mostrou-se satisfeito com a atitude da sua equipa, elogiando o empenho dos seus jogadores mesmo após o desgaste do jogo europeu a meio da semana.
Mourinho reconheceu, contudo, a dificuldade em concretizar as oportunidades criadas, destacando a performance de Bernardo Fontes, o guardião do Tondela que efetuou nove defesas cruciais para manter a sua baliza inviolável, tornando-se o principal carrasco das aspirações benfiquistas.
Análise Pós-Jogo: Mourinho e a Atitude da Equipa
“Não. Aquilo que eu receava era uma ressaca emocional do jogo de quarta-feira e uma atitude de não concentração, de sobranceria. E foi exatamente o contrário: a equipa respeitou o jogo, jogou para ganhar, fez tudo para ganhar, merecia ganhar e não ganhou.”, afirmou José Mourinho, treinador do Benfica, após o empate a zero com o Tondela. O técnico encarnado mostrou-se satisfeito com a entrega dos seus jogadores, salientando o esforço mesmo após o desgaste de um jogo europeu a meio da semana.
Apesar do resultado, Mourinho elogiou a postura da equipa, que, segundo ele, “jogou para ganhar” e “fez tudo para ganhar”. O treinador destacou a ausência de uma “ressaca emocional” e de uma atitude de “sobranceria”, o que demonstra o profissionalismo e a concentração dos atletas benfiquistas.
O Carrasco: Bernardo Fontes e a Falta de Eficácia
“Mas como eu dizia aos jogadores agora mesmo no balneário, eu não acuso ninguém de falhar golos e foi a única coisa que nós fizemos de negativo, foi falhar tanto golo. Em algumas ocasiões nem foi falhar, foi um guarda-redes que foi justamente eleito o melhor em campo”, referiu Mourinho, apontando Bernardo Fontes como o principal responsável pelo nulo. O guarda-redes do Tondela foi decisivo, com nove defesas cruciais que frustraram as tentativas do Benfica.
O técnico benfiquista admitiu a falta de eficácia da sua equipa na finalização, mas isentou os jogadores de culpa, atribuindo grande parte do mérito ao desempenho excecional do guarda-redes adversário. A ineficácia ofensiva, aliada à inspiração de Fontes, impediu o Benfica de conquistar os três pontos.
Críticas à Arbitragem: Tempo de Compensação em Destaque
Mourinho também se mostrou crítico em relação à arbitragem, nomeadamente no tempo de compensação. “Nos minutos finais o único nervosismo foi que qualquer jogo, não só em Portugal mas também no estrangeiro, vai-se sempre para os sete, oito minutos de descontos e hoje, num jogo em que havia motivos para mais, o Luís Godinho dá cinco minutos, que depois acabam por nem ser cinco minutos.”, expressou o seu descontentamento. O treinador considerou que o tempo de compensação foi insuficiente, dado o desenrolar da partida.
A intenção de procurar a vitória até ao fim foi, contudo, mantida com as alterações efetuadas. “Foi o único momento em que encontrei nervosismo na equipa. Obviamente que nos últimos minutos mudámos de perfil, o miúdo [Anísio Cabral] até entrou bem e começou a dar-nos algum jogo dentro da área, uma boa presença de costas, a ser uma boa referência e com ocasiões para marcar.”, acrescentou Mourinho, justificando as substituições como forma de aumentar a pressão ofensiva.
Azar ou Falta de Eficácia? A Análise de Mourinho
Apesar do empate, Mourinho recusou-se a falar de azar, mas admitiu a falta de eficácia. “Não gosto muito de falar de sorte ou azar, senão na quarta tivemos sorte e hoje não tivemos, mas não fomos eficazes. Mesmo com as condições difíceis do campo, a equipa tentou jogar sempre, criou desde o princípio do jogo. tivemos mais de 20 remates de certeza, o guarda-redes teve quatro, cinco, seis defesas de grande valor”, analisou o jogo, sublinhando as dificuldades impostas pelo terreno pesado devido à chuva e a performance do guarda-redes adversário.
O técnico encarnado frisou que a equipa não foi eficaz na conversão das oportunidades criadas, apesar do grande volume de remates à baliza. A qualidade do relvado e o excelente desempenho do guarda-redes do Tondela foram fatores que contribuíram para o desfecho do jogo.
O Caminho a Seguir: Confiança e Consistência
Mourinho reiterou a confiança na qualidade do futebol da sua equipa, apesar do deslize. “Não, acho que não. A equipa está a jogar bem, como já está a jogar bem de há umas boas semanas para cá. Ficamos mais longe dos nossos rivais mas isso não afeta o nosso trabalho diário, porque nós podemos estar a 5, 10 ou 20 pontos e a seriedade deste grupo, a maneira como se trabalha e se encara a profissão não vai mudar. Vamos continuar o nosso caminho, obviamente com a tristeza de um resultado negativo mas com a certeza de que fizemos tudo para ganhar”, assegurou, mantendo o foco no trabalho e na consistência da equipa, apesar do aumento da diferença pontual para os rivais diretos, Sporting e FC Porto.
O treinador não deixou de assinalar o peso dos empates na presente temporada, embora sem culpar os jogadores pela falta de acerto. “Seguramente que tem peso. Chegamos a este momento da época com mais pontos do que na época passada, sem uma única derrota, mas esses empates são pontos perdidos. Alguns desses empates pode haver aquela nota de culpa porque entregámos os pontos com erros nossos, mas hoje eu não consigo apontar o dedo aos jogadores. Obviamente que falhámos muitos golos, mas não consigo ter um sentimento negativo com eles”, concluiu Mourinho, enfatizando que o Benfica tem mais pontos que na época anterior, mas que os empates têm sido a pedra no sapato na luta pelo título. O nulo em Tondela permitiu ao Sporting aumentar a vantagem para cinco pontos, e o FC Porto poderá ficar a 12 pontos dos encarnados, caso vença o seu jogo pendente contra o Casa Pia.