O adepto de futebol português é muitas vezes retratado como alguém que vive em função do desporto-rei, deixando-se dominar pelo cada vez mais obsessivo mundo do futebol. Mesmo antes de sair da cama, este adepto já começa o seu dia a acompanhar atentamente os comentários dos especialistas nos jornais sobre a arbitragem, depois de ter passado a noite anterior a fazer os cálculos de quem vai ganhar a «Liga da Verdade», uma competição imaginária.
Hábitos matinais
Após os cuidados de higiene matinais, o momento seguinte é reservado para a leitura de comentários nas redes sociais, muitas vezes «estúpidos e infundados», ou para disseminar «teorias da conspiração». Ainda antes do almoço, já se envolveu em discussões com supostos colegas em grupos de WhatsApp, «debatendo insistentemente a suposta dualidade de critérios dos árbitros».
Ocupação da tarde e noite
A tarde é ocupada a ver o máximo de programas desportivos possível, em canais abertos ou fechados, com o objetivo principal de «atacar e perseguir quem pensa de forma diferente, numa espécie de fantasia sexual». À noite, o ápice do seu dia chega com a «troca de acusações e provocações entre os presidentes dos três grandes clubes portugueses», que são celebradas «como se de golos de placa se tratassem», completando a receita de disseminação de ódio.