João Henriques: “Liga e Taça são competições diferentes” antes de Alvalade

  1. João Henriques falou antes de Alvalade.
  2. Reconheceu favoritismo do Sporting.
  3. Justificou saídas pela dimensão do plantel.
  4. Prometeu equipa ofensiva em Alvalade.

Após a derrota pesada com o SC Braga, o treinador do Aves SAD, João Henriques, fez a antevisão ao encontro da Taça de Portugal em Alvalade com discurso sereno e realista. O técnico procurou separar o momento delicado no campeonato da ambição de obter um bom resultado na prova rainha, apontando para diferenças de contexto e pressão entre as duas competições.

Henriques realçou que a equipa chega ao dérbi com vontade de competir e de aproveitar as oportunidades que a Taça proporciona, sem, contudo, perder o sentido de realidade perante um adversário com argumentos superiores no plano ofensivo. As palavras do treinador sublinharam, acima de tudo, uma combinação de pragmatismo e ambição.

Contexto geral: Liga e Taça

João Henriques começou por contextualizar o momento do Aves SAD, sublinhando que “há coisas que não têm muita explicação, Liga e Taça são competições diferentes, o peso dos pontos no campeonato tem levado a que a equipa tenha sofrido golos em todos os jogos e esse peso tenha sido cada vez maior conforme as jornadas vão passando”. O treinador usou a diferenciação entre provas para explicar a oscilação de rendimento da equipa.

Na mesma intervenção, Henriques destacou o percurso na Taça: “Ao invés, na Taça, temos tido sucesso até ao momento, temos feito um percurso muito digno, condizente com aquilo que eram as expectativas do clube nesta competição que é ir o mais longe possível. Isso dá ânimo para uma equipa que tem sofrido tanto esta época.” A mensagem foi clara: a Taça funciona como oportunidade e alento numa época difícil.

Preparação mental e abordagem ao jogo da Taça

O treinador explicou que a metodologia de trabalho não muda, mas que a componente psicológica é diferente quando não existe a pressão imediata da tabela classificativa. “Na preparação do jogo, é exatamente a mesma coisa. Obviamente que não havendo a tabela classificativa com esse peso ali ao lado, para olharmos o que vai acontecer com os diferentes adversários, olhamos só para nós mesmos e para o nosso adversário de amanhã”, afirmou João Henriques.

Henriques acrescentou que essa leveza mental pode ser determinante: “Isso torna tudo mais leve na cabeça dos jogadores e também o facto de sentirem que é uma oportunidade, num jogo onde tudo pode acontecer.” A ideia é aproveitar o ambiente e o carácter eliminatório da prova para estimular a ambição colectiva.

Mercado e gestão do plantel: saídas

Sobre as recentes saídas, Henriques esclareceu que as decisões não foram tomadas por subavaliação dos jogadores, mas sim pela necessidade de ajustar um plantel demasiado extenso. “Os que saíram, não tem a ver com a qualidade dos jogadores em si, porque todos eles têm futuros bons à sua frente. Foi uma questão de ter o plantel demasiado extenso. Tínhamos 31 jogadores quando cheguei, era muito difícil para todos se sentirem uteis”, explicou o treinador.

A leitura do técnico aponta para uma gestão responsável do balneário e do tempo de jogo: reduzir o número de elementos para garantir melhores condições de trabalho e maior clareza no papel de cada atleta, algo que considera fundamental para a estabilidade da equipa.

Mercado e gestão do plantel: entradas

Quanto às contratações, João Henriques foi pragmático sobre o perfil pretendido: “Quanto às entradas, olhamos para as lacunas que nós consideramos importantes no plantel para termos um plantel mais competitivo e equilibrado e é isso que vão trazer esses jogadores.”

O treinador deixou implícito que as aquisições visam corrigir desequilíbrios e acrescentar soluções tácticas e técnicas que permitam a equipa enfrentar os desafios até ao fim da temporada, tanto no campeonato como nas competições a eliminar.

Análise do adversário e reconhecimento do favoritismo

Henriques não escondeu o favoritismo do Sporting CP, apelidando-o de principal responsável pelo resultado em virtude de jogar em casa e de possuir números ofensivos de destaque. “O Sporting tem 100% de responsabilidade neste jogo. Isso é natural, pois joga em casa, é o detentor do troféu, é a equipa que tem os melhores números ofensivos esta época”, afirmou o treinador do Aves SAD.

Ao reconhecer a condição do adversário, o técnico pretendeu, simultaneamente, retirar peso psicológico da sua equipa, definindo um cenário de confronto onde a exigência moral e competitiva recai sobre o clube lisboeta.

Ambição e vontade de surpreender

Não obstante o favoritismo do Sporting, João Henriques apelou à ambição dos seus jogadores e à crença nas surpresas naturais do futebol: “Sabemos que é um jogo onde tudo pode acontecer, queremos ser muito competitivos neste jogo, deixar sempre o jogo em aberto para que haja uma surpresa.”

A mensagem foi de esperança pragmática: preparar uma equipa capaz de competir durante 90 minutos e, se possível, colocar o jogo em condições de gerar um resultado imprevisto, explorando ocasiões e erros do adversário.

Estratégia de jogo: não apenas defender

Em termos tácticos, Henriques deixou claro que a abordagem não passará por uma atitude puramente defensiva. “Vamos a Alvalade, respeitando o adversário, mas a tentar fazer o nosso jogo e o nosso jogo não passa por ir só defender, vamos tentar chegar à baliza do Sporting porque só assim é que conseguiremos passar a eliminatória”, declarou o técnico.

O discurso revela vontade de equilibrar cautela com ambição ofensiva, procurando uma organização que permita transições rápidas e aproveitamento de lances de bola parada ou erro adversário, elementos comuns em surpresas na Taça.

Gestão do esforço e escolha do onze

Sobre o planeamento físico e a escolha do conjunto titular, Henriques sublinhou a importância de utilizar jogadores nas melhores condições globais. “Vamos usar aqueles que consideramos que estão em melhores condições físicas, técnicas, táticas e psicológicas para abordar este jogo, tendo em conta o que fizemos há dois dias e aquilo que vamos querer fazer na segunda-feira com o Famalicão”, disse o treinador.

Esta abordagem revela a necessidade de gerir um calendário apertado e de pensar na sustentabilidade das opções para que a equipa chegue com capacidades competitivas aos próximos confrontos, sem comprometer a integridade física dos jogadores.

Conclusão e leitura final

A mensagem de João Henriques foi, em síntese, de realismo com ambição: reconhecer o favoritismo do Sporting, mas encarar a Taça como uma janela de oportunidade. O treinador alinhou discurso psicológico, gestão do plantel e intenção táctica numa estratégia coerente para tentar esticar as ambições do Aves SAD na prova.

Resta agora ao Aves demonstrar em Alvalade se a conjugação entre leveza mental, escolhas acertadas no onze e capacidade ofensiva será suficiente para criar a surpresa que Henriques defende ser possível.