Vasco Seabra, treinador do Arouca, expressou um sentimento de frustração, apesar de a sua equipa ter garantido matematicamente a manutenção na Liga. As suas declarações surgiram na sala de imprensa do Estádio Municipal de Arouca, após o empate a duas bolas frente ao Santa Clara, na 32.ª jornada do campeonato.
O técnico não escondeu a sua insatisfação, apontando o dedo à equipa de arbitragem, que considerou ter tido um papel decisivo no desfecho da partida, especialmente após a expulsão de Hyunju Lee aos 66 minutos. “Nós nunca nos guiámos pela manutenção, foi por querermos conquistar melhor que o ano anterior. A manutenção fica matematicamente garantida, mas há um sentimento de frustração na equipa, porque tivemos de correr muito, lutar muito. Tivemos alguns momentos de bastante qualidade”, afirmou Seabra.
A principal razão para a frustração do treinador foi a expulsão que considerou “absurda”. “Tivemos uma expulsão absurda. Tivemos de jogar muito tempo com menos um jogador, injustamente. São muitas incidências e essas incidências fazem com que a equipa… Nós tínhamos uma ambição muito grande de querer terminar o campeonato com três vitórias. Hoje não conseguimos, lutamos muito. Tivemos pela frente uma equipa difícil de bater, e eu creio que nós só conseguimos fazer o que fizemos pela nossa resiliência, pela capacidade de sofrimento da equipa. Porque ficar com menos um, ainda assim ter momentos de posse, momentos de chegada através de construção, contra uma equipa que obviamente estava a dar tudo para também garantir pontos e conseguir sair de uma zona mais difícil”, elaborou o técnico, enaltecendo a resiliência dos seus jogadores.
Vasco Seabra reiterou o seu orgulho na prestação da equipa, mas não deixou de expressar o seu descontentamento com as decisões arbitrais. “Só tenho que estar orgulhoso dos meus jogadores, mas triste e chateado por situações que não fazem sentido. Toda a gente viu a olho nu. Portanto, era uma situação muito simples de analisar. Felizmente, na próxima época, creio que isso já será alterado, este tipo de decisão. Infelizmente, não foi. Temos de seguir com esse amargo de boca. Mas, essencialmente, é ambição para os próximos dois jogos. Queremos acabar bem. Queremos acabar com vitórias. E, portanto, temos de seguir neste caminho”, declarou, mostrando que, apesar de tudo, o foco está em terminar a época da melhor forma.
O treinador do Arouca estendeu a sua crítica à facilidade com que as expulsões ocorrem no futebol português. “Acho que é fácil demais expulsar treinadores, jogadores. Isto, qualquer dia, as pessoas não podem falar sequer. Quer dizer, eu falei a pedir um cartão, o Petit falou para mim, eu respondi. Não foi nada de extraordinário, chegamos ao túnel, reconhecemos, demos um abraço”, relatou Seabra, mencionando um episódio com o treinador adversário e a necessidade de controlo excessivo nas partidas.
“Acho que há uma necessidade tal de controlar tudo, de não se deixar o jogo andar. Marca-se faltinha, faltinha, que é para o jogo não andar, que assim tenho o jogo controlado”, observou o técnico, questionando a forma como alguns jogos são geridos pela arbitragem. Contudo, fez questão de ressalvar a qualidade geral da arbitragem nacional. “E eu acho que a arbitragem portuguesa tem crescido tanto. Eu acho que nós temos tão bons árbitros que acho que este tipo de arbitragem é aquele tipo de arbitragem que tem que levar outro rumo. E acho que a nossa arbitragem está no sentido certo”, defendeu.
Para Vasco Seabra, a frustração persistiu, especialmente por um jogo que, na sua perspetiva, poderia ter sido mais simples de arbitrar. “Hoje fica essa frustração. Como sabem, eu não gosto muito de falar de arbitragem. Hoje acho que foi, num jogo que me parecia fácil de dirigir, foi complicado desnecessariamente”, concluiu, deixando claro o seu descontentamento com a atuação da equipa de arbitragem na partida.