O Vitória de Guimarães sofreu uma derrota por 3-2 frente ao Arouca, após estar a vencer por dois golos de diferença. Este resultado levou a uma profunda reflexão no seio da equipa minhota, com o treinador Luís Pinto e o defesa Rodrigo Abascal a expressarem o seu descontentamento e a procurarem explicações para a reviravolta.
A equipa de Vasco Seabra operou uma notável reviravolta, com golos de Alfonso Trezza, Barbero e Lee Hyunju, depois de Noah Saviolo e Oumar Camara terem inaugurado o marcador para os vimaranenses. A derrota mantém o Vitória de Guimarães na nona posição, com 28 pontos, enquanto o Arouca subiu ao 12.º lugar, com 23 pontos, após a sua segunda vitória consecutiva no campeonato.
Análise do Treinador Luís Pinto
Luís Pinto, técnico do Vitória, não escondeu a sua frustração com a prestação da equipa. “No intervalo, tentámos passar a mensagem de ir em busca de um terceiro golo, era importante ter uma atitude proativa e fazermos o básico. No entanto, até quando estávamos em desvantagem, não fizemos nem o básico”, afirmou.
O treinador destacou a falta de aplicação e as “imensas perdas de bola”, sublinhando que a equipa “quis sempre fazer a escolha mais difícil”, o que a tornou “permissiva e com as suas devidas fragilidades”.
A Perspetiva de Rodrigo Abascal
Rodrigo Abascal concordou com a análise de Pinto, reforçando que as condições atmosféricas não justificam a quebra de desempenho. “Foi um Vitória pressionante, que não deu hipótese praticamente nenhuma ao Arouca durante a primeira parte. Não sei se o vento explica tudo. A verdade é que o clima não pode ser uma desculpa”, frisou o central uruguaio.
O jogador lamentou que o golo do Arouca antes do intervalo tenha alterado a dinâmica do jogo, apesar de reconhecer uma ótima primeira parte da sua equipa.
A Questão da Mentalidade
A questão da mentalidade foi um ponto chave na análise de Luís Pinto. “Mais do que questões táticas, porque o relvado estava bom até pela chuva que sofreu, mas bastante pesado, a mentalidade faria toda a diferença”, resumiu o treinador.
Ele elogiou a boa mentalidade exibida na primeira metade do jogo, mas alertou para a ausência da mesma na reta final. “Temos que conseguir jogar do início até ao fim, é uma questão de mentalidade da nossa parte. É importante perceber o clube que representamos, perceber que é preciso representá-lo em full time, não em part-time”, acrescentou, num claro apelo à responsabilidade e ao profissionalismo.
Impacto Psicológico e Tático
Abascal também abordou a questão do impacto psicológico da derrota. “Acho que nada é uma desculpa. Como disse, tínhamos que entrar forte na segunda parte, mas entrámos sem conseguir manter a vantagem”, referiu, fazendo um mea culpa sobre a forma como a equipa abordou a segunda parte.
Luís Pinto rejeitou que a quebra de desempenho se deva a mudanças estratégicas. “Não houve, não. A verdade é que não conseguimos pressionar da mesma forma do que na primeira parte, ficamos com um bloco muito comprido, mas tínhamos a linha defensiva bastante baixa. Quando a distância para correr fica assim, é pior. Foi difícil chegar aos sítios certos com os timings certos”, explicou.
Mensagens aos Adeptos e Situação Clínica
Ambos os intervenientes deixaram mensagens aos adeptos. “Foi uma deslocação difícil para os nossos adeptos, pela estrada e pelo clima, mas só jogámos uma parte para eles. Temos que ser muito críticos connosco. Somos nós, o grupo de trabalho, que tem de crescer neste sentido e ser ligados até ao fim”, disse Luís Pinto.
Abascal também pediu desculpas: “E quero agradecer aos adeptos que estiveram debaixo da chuva, com o frio, e pedir-lhes desculpas. Sabemos que o Vitória não é isto.” Luís Pinto abordou as substituições de Samu (por necessidade) e a lesão de João Mendes (um contacto ligeiro), garantindo que os casos “não são preocupantes”.