Vítor Catão, ex-diretor desportivo do São Pedro da Cova, compareceu hoje perante o coletivo de juízes do Tribunal São João Novo, no Porto, para responder às acusações de auxílio à imigração ilegal. Catão, juntamente com Armando Santos, antigo treinador do mesmo clube, é acusado de recrutar 11 atletas brasileiros sem o devido processo de legalização, com o objetivo de formar “uma equipa a baixo custo”. Durante a sessão, o principal arguido defendeu-se vigorosamente, negando qualquer responsabilidade nos procedimentos burocráticos e financeiros.
“Eu não tinha nada a ver com as papeladas e com as questões financeiras e burocráticas”, garantiu Vítor Catão no tribunal. A acusação do Ministério Público (MP) alega que os atletas brasileiros, recrutados e inscritos no clube, nunca foram legalizados e não possuíam visto ou título válido para permanecer e trabalhar em Portugal. O MP refere ainda que os arguidos prometeram a legalização dos jogadores, algo que “nunca fizeram”, alojando-os em condições precárias. Contudo, Catão contestou estas afirmações, descrevendo as instalações como adequadas. “Houve um jogador que disse que dormia melhor cá do que no Brasil onde dormia num tapete”, frisou o ex-diretor, sublinhando que as condições de alojamento no estádio, onde pernoitavam três a quatro jogadores, eram “boas”, com porta, janelas com luz direta, beliches e alcatifa.
Além do alojamento, Vítor Catão salientou que o clube, atualmente inativo, assegurava as refeições e providenciava apoio financeiro para despesas essenciais dos jogadores, como carregamentos de telemóvel, produtos de higiene pessoal, fruta, iogurtes e combustível. “Nunca ganhei dinheiro com o futebol, aliás sou uma vítima do futebol português”, afirmou Catão, rejeitando qualquer benefício pessoal da situação. Por sua vez, Armando Santos, ex-treinador, corroborou que os jogadores não recebiam salários regulares devido à limitada capacidade financeira do clube. Segundo Santos, os atletas recebiam pagamentos esporádicos e de montantes variáveis, “quando as coisas corriam bem”, e enfatizou que todos os jogadores, fossem portugueses ou brasileiros, eram tratados de igual forma, sem qualquer distinção.