O Benfica sofreu para garantir uma vitória por 2-1 sobre o Alverca, num jogo da Liga Revelação marcado por um golo decisivo de Anísio Cabral nos minutos finais e por acusações de penáltis não assinalados. O treinador do Alverca, Custódio Castro, expressou a sua frustração com o resultado e a exibição da sua equipa, lamentando a falta de pontos conquistados e questionando a arbitragem.
Apesar da derrota, o técnico realçou a competitividade da sua equipa e o facto de terem estado perto de um empate. Custódio Castro também aproveitou a oportunidade para criticar a situação atual do país, nomeadamente as cheias, sublinhando que “Isto é só um jogo de futebol. Temos de estar de mãos dadas e solidários por esta questão das cheias e o futebol também deve ajudar”.
Análise de Custódio Castro
Custódio Castro iniciou a sua análise reconhecendo a dificuldade do encontro. “Sabíamos que é muito difícil este tipo de jogos, com um clássico sabíamos que o Benfica não podia perder pontos. Queríamos jogar com essa parte mental, emocional do jogo também” afirmou o treinador. No entanto, Custódio Castro enfatizou que, apesar da pressão, a sua equipa manteve a ambição. “Fomos competitivos, tentámos lutar pelos pontos e podíamos ter saído com um empate”.
O treinador do Alverca detalhou a estratégia da equipa, que passava por explorar a velocidade dos seus jogadores. “Tínhamos uma estratégia. Tínhamos uma dupla largura. Não sabíamos se o Prestianni ia baixar com o Chissumba ou pressionar o central pela esquerda e dado à velocidade deles, podíamos ter alguma vantagem com o Marezi a ajudar naquele tipo de movimentos de profundidade e o golo acaba por aparecer com esse desbloqueio. Podíamos ter utilizado à esquerda e à direita”, explicou. A saída de Chiquinho, devido a desconforto físico, foi um contratempo.
A Perspetiva de Figueiredo
Figueiredo, jogador do Alverca e autor do golo da sua equipa, partilhou a sua visão sobre o jogo em declarações à BTV. “Estávamos muito bem, com o golo, o empate era muito importante, mas uma desatenção nossa... É o que temos de acertar na semana, deu o segundo golo. Agora é focar no próximo jogo e trabalhar para conseguir o objetivo” disse o médio. Questionado sobre a importância de marcar na Luz, Figueiredo realçou: “É muito importante marcar contra uma grande equipa, agora é seguir. Não conseguimos o empate ou a vitória, mas é seguir”.
O jogador garantiu ainda que os adeptos podem esperar “uma equipa muito batalhadora, à procura da vitória e a dar o melhor pelos três pontos”. Figueiredo, tal como o seu treinador, expressou frustração pela falta de pontos conquistados. “Não sou de vitórias morais. Não consegui o que queria, que era conquistar pontos” concluiu.
Reclamações do Benfica sobre a Arbitragem
O Benfica, por sua vez, utilizou as redes sociais para manifestar o seu descontentamento com a arbitragem. A equipa encarnada publicou um vídeo com a legenda: “Área. Falta. Segue. Área. Falta. Segue. Área. Falta. Segue. Três penáltis por marcar a favor do Benfica”. Entre os lances contestados, destaca-se um momento envolvendo Rafa e Bastien Meupiyou, que gerou muitas críticas e indignação entre os adeptos benfiquistas.
Apesar da polémica, a vitória foi crucial para o Benfica na perseguição ao FC Porto e Sporting na tabela classificativa da Liga Revelação.
A Mentalidade do Alverca
Apesar da derrota, Custódio Castro quis deixar uma imagem de ambição e compromisso, tanto para os jogadores como para os adeptos. “Não escondemos aquilo que somos, a jogar no Benfica, em Braga, Estoril, Famalicão ou Aves. Nós não nos escondemos, a forma como construímos o clube, o plantel, acabámos por ter alguma falta de consistência, mas estamos a lutar por ela e sente-se essa mentalidade e tentar de agarrar de uma cultura que se quer ao clube” reforçou o treinador.
Custódio Castro sublinhou a importância do apoio dos adeptos. “Precisámos de toda a gente e dos nossos adeptos, que foram excecionais no apoio, mas precisamos deles todos os dias perto dos jogadores para sentirem que estão no caminho certo, não só quando ganhámos, mas também quando perdemos, porque eles serão sempre o futuro do clube”. O treinador também fez um balanço da prestação do Alverca, destacando a competência da equipa. “Fizemos um jogo competente. Na primeira parte conseguimos sair e ter bola. Na segunda parte, e fruto desta parte emocional, acabámos por sair menos. Estamos tristes por não conseguir pontos. Mas ficou clara a mentalidade do Alverca”.
A Exigência Contínua
Custódio Castro sublinhou a importância de manter a cultura de trabalho no clube. “Não vivemos sob a tranquilidade. Vivemos com exigência. Quem olha para a época do Alverca repara que abordamos os jogos sempre da mesma forma” afirmou, garantindo a mesma postura competitiva para o próximo jogo. “Esse jogo não vai ser mais fácil do que este. Isso, para mim, é que é importante” concluiu o técnico do Alverca.
Preocupação com as Cheias em Portugal
A frustração de Custódio com a situação do país também foi notória. “Não conquistando pontos iria sair frustrado. É um jogo de futebol. Estou triste com o que se está a viver no país. Isto é só futebol. A situação do país é que me deixa triste com isto das cheias” desabafou, rejeitando vitórias morais. “Não sou de vitórias morais. Não consegui o que queria, que era conquistar pontos” concluiu o treinador.